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17.fev
Como o trabalho de Jolie influenciou mais “The Breadwinner” do que seu nome

A cineasta irlandesa Nora Twomey não precisou de Angelina Jolie para fazer o filme indicado ao Oscar, “The Breadwinner”. A produção já estava totalmente financiada pela empresa “Cartoon Saloon” na Irlanda, pela Aircraft Pictures em Toronto e pela Melusine Productions em Luxemburgo.

Entretanto, Twomey não queria o nome de Jolie. Ela queria sua mente. Esta foi a primeira vez que Twomey iria trabalhar sozinha como diretora e logo no início ela reconheceu que poderia usar a experiência que Jolie tinha tido no Afeganistão, como Embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas, já que ela construiu escolas para meninas no país. Twomey queria abordar um tema sensível sobre a opressão política com sofisticação e um estilo adulto. A história é baseada no romance lançado no ano 2000, pela escritora Deborah Ellis que conta a história de uma garota de 11 anos que decide se vestir de menino para sustentar sua mãe e irmãs quando seu pai é capturado pelo Talibã.

Então Twomey conseguiu entrar em contato com Jolie através de amigos em comum, Jehane Noujaim e Karim Amer, cineastas egípcios responsáveis pelo filme indicado ao Oscar, “The Square”, contou Jolie. “Nós nos conhecemos por trabalharmos com assuntos relacionados aos refugiados”.

Jolie não apenas ofereceu conselhos sobre a história e contratou atores para a dublagem, mas também explicou as complexidades da cultura e navegação na infra-estrutura do Afeganistão. “Que pessoa seria melhor?” disse Twomey. “Ela é como uma diplomata. Ela teve um longo interesse no Afeganistão e possui uma compreensão das questões que nós tentamos explorar em “The Breadwinner”. Ela era uma pessoa que não vê as coisas de forma superficial, ela pensa nas coisas profundamente, isso fica evidente em tudo o que ela faz. E isso era algo que nós poderíamos usar”.

“Quando nós nos conhecemos, nós duas tínhamos a mesma ideia para o filme,” disse Jolie. “Nós queremos que as pessoas respeitem o que essas jovens crianças passam e entendam esta cultura que possui uma história profunda e muito rica”. Com relação ao povo do Afeganistão, você só consegue pensar em opressão. Você não pensa em como um pai ama sua filha e como esta filha arriscaria a vida pelo pai. As pessoas não pensam nessas coisas, especialmente com relação ao Afeganistão depois de todos estes anos de guerra.

Twomey e Jolie também concordaram em não assustar os jovens telespectadores, mas estavam dispostas em mostrar a eles as realidades do conflito. “Nos cometemos grandes erros quando falamos com as crianças sobre essas questões,” disse Jolie. “Eu fiquei surpresa com a reação das crianças que eu levei para assistir este filme – pensei que meus próprios filhos entenderiam isso – mas talvez outras crianças estivessem vendo uma mulher sendo espancada pelo talibã pela primeira vez, ou não compreendessem porque uma garota teria que trabalhar para alimentar sua família ou ainda porque ela teria que mudar de sexo para fazer isso, o que é isso para as mulheres… As crianças são capazes de absorver o que é mostrado no filme e sair do cinema sentindo que gostariam de ser amigos da Parvana, que elas iriam gostar de serem como ela, que elas se sentem orgulhosas da Parvana e acreditam que são capazes de fazer mais coisas mesmo sendo crianças, que suas vozes são importantes”.

Twomey e Jolie ficaram intimamente envolvidas com o elenco que deu voz aos personagens afegãos. Jolie ouviu atentamente as fitas “para encontrar a alma da pessoa,” disse ela. “Tal voz é muito engraçada, ou muito adulta, ou esta voz não soa gentil”.

“Ela tem uma orelha de atriz,” disse Twomey, que dá o crédito a Jolie por ajudar a escolher uma atriz com uma personalidade borbulhante como a da melhor amiga de Parvana para contrabalancear com a força de sua heroína. “Ela não pode ser feliz enquanto está de luto pelo pai que está desaparecido”.

Uma maneira de modular o terror foi manter a audiência conectada aos personagens e mostrar a beleza das paisagens e o poder das fantasias de uma jovem. Twomey usou a paleta de cores do Afeganistão para mostrar a “imaginação e a capacidade de Parvana como contadora de histórias e conexão que ela possui com seu pai e com sua cultura”, disse ela. “Nós queríamos que o filme fizesse uma espécie celebração pela imaginação de uma jovem garota, pelo amor que ela possui por sua família, por sua inocência, sabedoria e defeitos. Nós queríamos que ela fosse bastante real: e a imaginação permite que você faça isso.”

Fonte: IndieWire



11.fev
Angelina Jolie entrevista Miyavi para a UNHCR

Cinco dias antes do cantor e ator japonês Miyavi chegar na cidade de Cox’s Bazar em Bangladesh, Nurul, um garoto de 8 anos de idade, e sua família chegaram ao acampamento de refugiados Kutapalong. Eles se juntaram aos 688 mil refugiados que agora chamam o acampamento de lar. Enquanto estava em Bangladesh, o Embaixador da Boa Vontade da UNHCR, Miyavi, se encontrou com Nurul e outras centenas de refugiados Rohingya. Eles contaram suas histórias de desespero, esperança, e sobre o desejo de voltar para casa com segurança.

Durante décadas, nossa Enviada Especial, Angelina Jolie, tem sido uma defensora feroz das pessoas que foram forçadas a fugir de suas casas. Quando ela soube que seu amigo Miyavi estava viajando para Bangladesh, ela quis saber sua perspectiva com relação as pessoas que compõem o maior acampamento de refugiados do planeta. Alguns anos antes, Angelina dirigiu e produziu o clipe da música “The Other” (Os Outros) de Miyavi, que foi lançado em 2016. O vídeo tem imagens de refugiados de todo o mundo, incluindo fotos do primeira viagem de campo feita pelo cantor com a UNHCR.

Aqui está a conversa completa entre os dois:

Angelina: Eu sempre sinto, quando me encontro com refugiados, que eu poderia oferecer mais do que apenas falar e comunicar suas necessidades. Eu vi a reação gerada quando você é capaz de compartilhar a música. Ela é importante não apenas por espalhar alegria ou animar as pessoas, mas porque muitos músicos estão juntos com as massas. Essas pessoas foram arrancadas daquilo que amavam e agora se concentram apenas em suas sobrevivências básicas. Eu acredito que, assim como eu tenho certeza de que você faz essa expressão criativa, é uma ferramenta para a sobrevivência. É uma parte essencial da vida. Quais foram suas experiências compartilhando a música nessa visita?

Miyavi: Antes de tudo, eu estava assustado quando visitei um acampamento de refugiados pela primeira vez, depois de ter sido inspirado por você. Já que eu não tinha nenhum conhecimento, experiência e até uma determinação como a sua naquele momento. Mas no momento que eu toquei o violão, eu vi o brilho nos olhos das crianças. As crianças ficaram loucas e eu fiquei maravilhado com a energia delas. A imagem que a palavra “refugiado” evoca – algo sombrio, sem esperança, um fardo, com pessoas sempre olhando para baixo – totalmente sumiu. Eles estão vivos. Especialmente as crianças, seus olhos não estão mortos. Seus olhos são ainda mais brilhantes e fortes que os nossos. Então, eu percebi que eu poderia fazer alguma coisa com a minha música. Novamente, eu não posso proteger as pessoas nos campos de guerra enfrentando aquelas pessoas que estão com armas. Mas talvez eu possa ser capaz de mudar a forma que as pessoas pensam através da música. A música não pode mudar o mundo imediatamente, mas pode mudar a inspirar as pessoas e essas pessoas talvez possam ser capazes de mudar o mundo. Então, esta é uma das minhas missões como músico agora.

Angelina: Eu conheço suas filhas muito bem. Eu imagino que você tem visto garotas com as mesmas idades de suas filhas. Quem você conheceu? Sendo pai, eu imagino que não é difícil simpatizar com muitos outros pais nos acampamentos que se encontram incapazes de dar aos seus filhos o que eles precisam no momento?

Miyavi: Muitas crianças inocentes não estão recebendo educação suficiente. Durante uma emergência, comida, água, e saúde é o que eles mais precisam, mas depois disso, a educação é uma das coisas mais importantes e é sobre isso que a maioria dos pais estão preocupados, eu acredito. No Líbano, quando eu toquei o violão no acampamento, eu deixei as crianças estourarem as cordas do instrumento quando eu fazia os acordes com a mão esquerda. Quando as crianças estavam fazendo fila, algumas começaram a brigar. Aquela briga de mão. Aquilo pareceu algo realmente sério para mim, então eu fiquei preocupado e perguntei aos refugiados que já eram adultos se aquela cena era ok. Eles disseram que era apenas briga de criança. Mas, se elas não receberam a educação correta, especialmente para aprender a importância de compartilhar as coisas com os outros, de cooperar, de aceitar as diferenças e de respeitar uns aos outros, é algo que pode gerar mais conflitos no futuro.

Angelina: Você conheceu pais? Qual foi a mensagem que eles passaram para você?

Miyavi: Eu me encontrei com famílias que tinham chegado apenas alguns dias antes. Abul, de 30 anos, pai de 3 crianças lindas disse que eles tiveram que pagar 100,000 quiates [unidade monetária da República da União de Myanmar], além disso os contrabandistas tomaram suas malas e todo o dinheiro que tinham quando chegaram. Sua esposa, Hamida (30), disse: “nós decidimos vir para cá para salvar nossas vidas e a vida dos nossos filhos”. É quase impossível imaginar, mas eu faria a mesma coisa se isso acontece com a minha família. Eu faria QUALQUER coisa pra proteger minha família, com toda certeza.

Angelina: Você consegue imaginar sua família nesta situação?

Miyavi: Não. Mas nós temos que fazer isso. Aquelas pessoas que são chamadas de refugiadas costumavam ser igual a nós. Eles tinham uma casa para voltar, um trabalho do qual se orgulhavam e tinham um sonho. A paz não é uma coisa que podemos dar como certa. Se não conseguirmos parar esta crise, pode ser que ela nos alcance num futuro próximo. É por isso que eu acho realmente importante ver esse assunto como uma questão global. Não apenas como um problema local. Todas as pessoas do planeta precisam lidar com isso e perceber que se nós não fizermos nada, será uma coisa que acabará voltando e nos perseguindo.

Angelina: A primeira vez que eu conheci os refugiados Rohingya foi quando viajei para a Índia, 11 anos atrás. Agora eles sentem que o mundo está finalmente ciente a respeito da situação deles ou eles perderam tudo? Qual é a discussão no acampamento? As famílias sentem que foram abandonadas?

Miyavi: As pessoas não tem ideia do que está acontecendo foram de suas comunidades já que, basicamente, não existe acesso para nada de fora, eu acho. Mas sim, eu tenho certeza de que eles se sentem isolados do mundo. Eles não tem acesso a trabalho, voto, e não podem até mesmo sair do acampamento legalmente. Sem identidade. Eles estão parecendo pássaros em uma gaiola.

Angelina: Você já visitou refugiados anteriormente em outras áreas (Tailândia, Líbano). Como essas experiências se comparam com aquela que você teve em Bangladesh. É o maior acampamento de refugiados do mundo. O que as pessoas mais precisam lá?

Miyavi: Eu fiquei impressionado com a escala, num primeiro momento. Mas ao mesmo tempo, honestamente, eu senti que eles, agora, estão protegidos pela UNHCR, por outras agências, ONGs e também pelo governo de Bangladesh. Esta foi uma das melhores coisas que eu vi desta vez.

Angelina: Você deve ter lembranças das pessoas que você conheceu, que ficaram na sua cabeça. Qual a história que mais se destaca para você?

Miyavi: Eu conheci um senhor que fugiu para Bangladesh duas vezes. Ele chegou em Bangladesh a primeira vez em 1992 e voltou para Myanmar em 1995. E agora ele voltou para Bangladesh 20 anos depois. Também ouvi outras histórias, de pessoas que voltaram 3 vezes para Bangladesh desde a década de 70. Além disso, essas pessoas se encontravam em situação de apátridas, só para começar. O que me impressionou foi que, apesar de terem passado por experiências horríveis pois tiveram suas casas queimadas, os membros de suas famílias foram mortos na frente deles, e por isso ficaram completamente traumatizados. No entanto, essas pessoas AINDA QUEREM VOLTAR PARA CASA. Isso arruinou meu coração de uma forma brutal. Eles conseguem ver o país deles dali. É algo que fica tão perto, mas ao mesmo tempo muito, muito longe.

Angelina: Que mensagem você recebeu das crianças que você conheceu?

Miyavi: Esperança. Os olhos delas não estão apagados. E é por este motivo que nós temos que protegê-las. Elas serão aquelas pessoas que serão responsáveis pelo nosso futuro. Nós somos responsáveis por mostrar o caminho certo a elas, um ambiente e uma educação como uma ideia de unidade.

Angelina: Como o fato de viajar e conhecer refugiados mudou sua perspectiva?

Miyavi: Mais determinação e responsabilidade. Eu agradeço a você por esta oportunidade e missão. Eu prometo fazer o meu melhor para que as coisas aconteçam.

Fonte: Medium@UNHCR



08.fev
Angelina Jolie estampa a capa da revista Elle

Angelina Jolie não tem um projeto para divulgar. Ela também não está estrelando ou dirigindo um filme que será lançado em Março. No entanto, contrariando os principais motivos de se estar na imprensa a ganhadora do Oscar é capa da revista Elle com a finalidade de chamar atenção para uma ocasião que não acontece nos tapetes vermelhos: o Dia Internacional da Mulher (8 de Março).

Durante a maior parte da última década, a cineasta de 42 anos de idade dedicou-se para lançar uma luz nos direitos das mulheres, ou destacar a ausência destes, ao redor do mundo. Servindo como Embaixadora da Boa Vontade e Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, ela completa quase 60 missões de campo, incluindo visitas ao Líbano, Jordânia e Iraque. Como co-fundadora da Iniciativa de Prevenção a Violência Sexual, ela se encontrou com sobreviventes de estupro em Ruanda e na Bósnia Herzegovina. Alguns dias antes de participar do ensaio fotográfico para a ELLE, o jornal “Guardian” publicou um pedido de Jolie por uma atitude contra a violência de gênero ao lado do Secretário Geral da OTAN, Jens Stoltenberg. Apesar de todo o seu trabalho, Jolie confessa que sempre foi reticente quando se trata de política. Ainda assim, ela reconhece que a ação política, às vezes, pode oferecer uma rota mais direta para conseguir mudar as coisas para melhor.

Para esta finalidade, a entrevista a seguir é uma conversa pensativa estabelecida entre Jolie e o político de longa data, John Kerry. Ela conheceu o estadista de 74 anos – veterano da Guerra do Vietnã, candidato presidencial e, mais recentemente, secretário de Estado dos Estados Unidos – há cinco anos durante a Cúpula do G8 em Londres. É uma manhã frígida de Dezembro e os dois se reencontraram no Hotel Ritz-Carlton em Nova York. Kerry, que inesperadamente, encontrou sua filha Vanessa na rua, trouxe-a para um breve olá. Os quatro filhos mais novos de Jolie devem chegar em breve. Jolie está na cidade para receber o prêmio de Cidadã do Mundo, entregue pela Associação de Correspondentes das Nações Unidas, e para fazer compras de Natal. Ambos estão ansiosos para 2018, ano em que Jolie deve conversar com estudantes do Instituto Jackson da Yale sobre assuntos globais, onde secretário também supervisiona a Iniciativa Kerry. Ele, por sua vez, concordou em falar na London School of Economics, na qual Jolie é professora visitante. A entrevista aborda uma pequena porção dos grandes problemas que ambos estão trabalhando incansavelmente para remediar.

Angelina Jolie: Obrigada por conversar comigo em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

John Kerry: O prazer é meu. Como está sua família?

AJ: Tudo bem. As crianças estarão aqui em breve. Você já possui netos?

JK: Eu estou passando pela melhor fase da minha vida como avô. Elas são muito espertos, é assustador.

AJ: Elas realmente são, só pela clareza que possuem…

JK: Eu acabei de voltar da Cúpula Climática em Paris. Eu sei que isso é algo pelo qual você se importa, já que nós temos que estar envolvidos globalmente.

AJ: Essa seria uma das coisas que eu adoraria conversar com você. Existe esta questão de, você pode ser um Cidadão do Mundo e ainda ser patriota? Essa nem deveria ser uma questão.

JK: É algo que nós precisamos falar mais. O que significa ser americano. Nós precisamos fazer um trabalho melhor ao explicar porque os americanos devem se sentir orgulhosos das coisas que fizemos nos países ao redor do mundo.

AJ: Eu sou muito patriota, assim como eu sei que você também é. Para mim, isso vai de mão dadas com o fato de ser orgulhoso por aquilo que a América representa. Por exemplo, eu sou a única pessoa na minha casa que nasceu nos Estados Unidos.

JK: Eu não estava ciente disso.

AJ: É só pelo motivo de que nós somos um país formado por pessoas de diferentes origens e crenças, que eu posso ter essa família. Minhas filhas tem as liberdades que tem por serem americanas. E nós estamos fazendo o nosso melhor quando estamos lutando para que as outras pessoas tenham os mesmos direitos. Particularmente, outras mulheres.

JK: O desafio é descrever como um conflito no norte da África, ou em qualquer outro lugar, está relacionado com todos nós. Como isso afeta a imigração, o terrorismo e a economia.

AJ: A forma que eu vejo é que, mesmo que você seja uma pessoa que não quer se preocupar com questões internacionais, você ainda será afetado. Não tomar uma posição é perigoso.

JK: No ano passado, nós tivemos uma discussão no Instituto Jackson, em Yale, sobre a mudança climática. Quando você diz “Salve o planeta” a maioria das pessoas revira os olhos. Mas, novamente, trata-se de como isso afeta todos nós, principalmente, os trabalhos. E se você é um agricultor e as coisas não crescem em alguns lugares? O que significa termos tempestades mais frequentes e super destrutivas?

AJ: Deve ser um momento frustrante, com a América se retirando do acordo climático.

JK: A verdade é que, mais de 90 cidades, incluindo Nova York, Miami e Los Angeles, estão 100% comprometidas em assinar o acordo de Paris. O povo norte americano não se retirou. As mudanças climáticas afetam negativamente todas as questões que você está trabalho: violência contra as mulheres, refugiados.

AJ: Já existem mais pessoas deslocadas pelas mudanças climáticas do que pelas guerras. O meio ambiente foi o que levou você para a política?

JK: Quando eu voltei do Vietnã, eu não protestei imediatamente. Eu ainda estava processando. Mas eu fiz parte do primeiro “Dia da Terra” em 1970. Recebemos mais de 20 milhões de pessoas e daí surgiram o “Clean Air Act”, o “Federal Water Pollution Control Act” e o “United States Environmental Protection Agency”. Advinhe quem assinou para a United States Environmental Protection Agency? Richard Nixon. Por que? Porque foi uma votação. Então, na eleição de 1974, nós apontamos 12 membro do Congresso, rotulando-os como a “dúzia suja”. Sete deles perderam seus assentos. Foi um estrondo. Todo mundo ficou chocado”.

AJ: Eu era bastante “anti-política” quando era jovem. Eu comecei a trabalhar com os direitos humanos e me encontrar com refugiados e sobreviventes principalmente porque queria aprender. Eu também tinha esta romântica ideia de que eu iria colocar um par de botas e me tornaria humanitária. Mas, em certo ponto, você percebe que não é o bastante. Você tem que encontrar a raiz do problema. E isso, muitas vezes, leva você de volta para a lei e para a política. Por exemplo, eu continuava me encontrando com refugiados que eram sobreviventes de estupros utilizados como armas de guerra. No entanto, não existiam condenações. Isso fez com que eu começasse a trabalhar com os governos e legisladores. Quando se trata do assunto, ainda vemos a violência contra as mulheres como um crime menor.

JK: É vergonhoso.

AJ: Você precisa identificar o que irá gerar mudança. Encontrar as pessoas na política com quem você pode trabalhar e que mantenham suas promessas.

JK: Isso é democracia: trata-se de responsabilidade. Você tem que batalhar e continuar cobrando. Você sente que está sendo bem sucedida?

AJ: Em alguns países a violência sexual é menos que uma discussão sobre tabu. É uma coisa que as pessoas mais esperam que seus líderes atuem. Mais de 150 países assinaram o compromisso de acabar com a impunidade do estupro em uma zona de guerra. Existem novas equipes para reunir provas e ajudar nos processos. Eu estava no Quênia em Julho passado, pois as tropas de manutenção da paz da ONU estavam recebendo um novo treinamento, já que as forças da paz fizeram parte do problema. Estamos trabalhando com a OTAN para o treinamento, proteção e obtenção de mais mulheres nas forças armadas. Mas ainda existe muito a se fazer.

JK: Quando eu era um jovem promotor, muitas das pessoas não acreditavam que a violência contra as mulheres fosse crime. Nós tentamos superar esse velho pensamento expandindo os programas de aconselhamento para vítimas de estupro, contratando e promovendo mais mulheres promotoras.

AJ: É exatamente isso: mudar o pensamento assim como as leis. Eu penso em quão difícil foi para as mulheres que lutaram para chegarmos onde estamos hoje. Tudo conta, da maneira que você se mantém em seu cotidiano, de como você se educa sobre seus próprios direitos, para se solidarizar com outras mulheres ao redor do mundo.

JK: Eu espero que os leitores entendam como suas vozes são importantes.

AJ: E que eles sintam que suas vozes estão sendo ouvidas. Eu falo para as minhas filhas, “O que te faz diferente é o que você está disposto a fazer pelos outros. Qualquer pessoa pode colocar um vestido e se maquiar. No entanto, é sua mente que define quem você é. Saiba quem você é, o que você pensa e o que você representa. E lute para que as outras pessoas possam ter essas mesmas liberdades. Uma vida de serviço vale a pena ser vivida”.

Fonte: Elle

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27.jan
IndieWire entrevista Angelina Jolie e Loung Ung

Nesta sexta-feira, dia 26 de Janeiro de 2018, o site de entretenimento “IndieWire” disponibilizou uma entrevista exclusiva com a cineasta norte americana, Angelina Jolie, e a escritora e ativista cambojana, Loung Ung, na qual as duas falaram a respeito do filme “First They Killed My Father”.

O emocionante drama, que conta a história de uma criança sobrevivendo ao regime do Khmer Vermelho, é o melhor filme dirigido por Jolie até o momento. O filme foi rejeitado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (Oscars) e não recebeu nenhuma indicação, apesar de ter sido enviado oficialmente pelo Camboja para concorrer na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira – um fato que, de modo algum, diminui o conteúdo artístico e poderoso do longa, que foi elaborado a partir do livro escrito pela autora cambojana, Loung Ung, e que se tornou um best-seller.

A história teve uma profunda ressonância na vida pessoal de Jolie. O filho mais velho da cineasta, Maddox, nasceu no Camboja. A diretora disse que sentiu uma grande responsabilidade ao querer contar a história da maneira correta – não apenas pensando no filho, mas também em todos os cambojanos.

“Quando você é diretora, você não quer ter a sensação de que desapontou sua equipe, que desapontou um país ou que você desapontou sua família,” disse Jolie durante a entrevista.

Foi Maddox, que agora possui 16 anos e que recebeu seu primeiro crédito como produtor em um filme, que sugeriu fazer o filme. “Ele foi a razão pela qual nós finalmente o fizemos,” adicionou ela.

“A maioria da nossa equipe era formada de sobreviventes… Então, todo mundo ali havia sido afetado,” disse Jolie. “Essa experiência seria traumática ou seria catártica e nós insistimos para que fosse catártica. Sabíamos que não ia ser fácil porque estávamos lutando para fazer algo que realmente importasse e, por isso, teríamos um pouco de dificuldade”.

A história mostra a infância brutal de Ung sobrevivendo ao mortal regime do Khmer Vermelho durante a década de 70 no Camboja. Ung adaptou o roteiro a partir de suas memórias. “Ela [Angie] criou algo seguro… para que todos tivessem seus momentos,” disse Ung. “Em alguns momentos, nós tivemos que parar de filmar porque as pessoas estavam passando por um estresse pós-traumático e Angie foi ótima”.

Mesmo não recebendo o assentimento do Oscar que se esperava, “First They Killed My Father” foi recebido calorosamente e passou por um longo caminho no sentido de demonstrar que Jolie é uma diretora com visão e habilidade. Este filme não é apenas uma grande realização para uma mulher que usa muitos chapéus diferentes em Hollywood, mas é uma história com grande valor sentimental para ela.

“Este filme fala sobre família… Sobre o quão acalentador, sobre o que significa ter uma família, sobre como ela nos forma e como ela nos ajuda a curar e sobreviver. Curar, sobreviver e, eu espero, florescer”.

Fonte: IndieWire

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03.jan
Em entrevista ao Yahoo, Jolie fala sobre “The Breadwinner”

Em uma entrevista concedida recentemente para o site “Yahoo Entertainment”, a cineasta Angelina Jolie falou sobre seu novo filme, “The Breadwinner”.

Dirigido por Nora Twomey e produzido por Jolie, o filme conta a história de uma jovem afegã chamada Parvana, que desafia o restritivo regime do talibã e que procura sustentar sua família depois que seu pai acaba sendo preso. Pode parecer que o longa aborda um tema desafiador, mas Jolie acredita que a atitude heroica de Parvana possa inspirar o público que possui mais ou menos a mesma idade que a dela.

“Eu espero que este filme fale com garotas do mundo todo, e com jovens garotos também,” disse a atriz ganhadora do Oscar que, recentemente, vem trabalhando como diretora.

Jolie observou o impacto gerado pelo filme nas crianças em primeira mão, observando um grupo de jovens telespectadores que anotando suas reações.

“A primeira vez que uma criança é exposta a este estilo de vida… faz com que ela seja impelida a valorizar sua educação e suas oportunidades. Isso desperta um senso de luta pelos direitos humanos nas pessoas mais jovens. Quem sabe? Talvez “The Breadwinner” possa ser uma história que inspire uma nova geração de heróis na vida real”.

O filme já foi indicado ao Globo de Ouro e está concorrendo na categoria de Melhor Animação. Além disso, o longa é um dos concorrentes ao Oscar. Os indicados oficiais serão divulgados nos dia 23 de Janeiro deste ano.

Fonte: Yahoo Entertainment

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