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Novo filme de Angelina Jolie prestará tributo ao Camboja

30 de julho de 2015

O Camboja ajudou Angelina Jolie a se tornar uma super estrela e a começar uma família. Para contar a história da população do país que conseguiu sensibilizá-la, ela irá dirigir um filme para a Netflix que será baseado em um livro que contém lembranças do holocausto ocorrido durante a década de 70, sob o regime comunista do Khmer Vermelho, responsabilizado pela morte de 1.7 milhões de pessoas.

E seu filho nascido no Camboja, Maddox, vai ajudá-la com a pesquisa e com as preparações para o filme, de acordo com o que Jolie contou nesta terça-feira em uma entrevista feita por e-mail para a ‘The Associated Press’.

Parte do filme de sucesso estrelado por Jolie em 2001, “Lara Croft: Tomb Raider”, foi filmada no famoso complexo de templos localizado em Angkor Wat no Camboja. Em 2002, ela retornou ao país para adotar Maddox, com 7 meses de idade em um orfanato localizado na parte ocidental do país. Determinada em retribuir algo ao país, ela abriu uma fundação no Camboja há 12 anos para promover o desenvolvimento da comunidade, assim como também a conservação ambiental.

No fim de semana passado, Jolie visitou alguns projetos da ‘Fundação Maddox Jolie-Pitt’ que se concentram em programas que “visam ajudar as famílias locais a superar os problemas associados à pobreza na região e a preservar o habitat natural da notável vida selvagem do país para as gerações futuras”, disse ela.

Ela está se programando para começar a filmar o longa em Novembro para o novo projeto da Netflix – uma adaptação das memórias de Loung Ung, autora do livro “First they Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers,” que retrata as lembranças de sua infância sob o regime do Khmer Vermelho. Jolie dirigiu recentemente o filme biográfico de Louis Zamperini, “Invencível”, e também está atualmente trabalhando na pós produção do filme “By the Sea”, o qual dirige e atua ao lado do marido Brad Pitt.

Durante a sua visita no Camboja, realizada nesta semana, Jolie concordou em responder algumas perguntas a ‘The Associated Press’ enviadas por e-mail. Aqui está uma versão editada da troca de mensagens:

Você sente uma responsabilidade política/social ao contar as histórias do Camboja, já que Maddox nasceu lá?

“Eu sinto uma profunda ligação com o Camboja. Quero respeitar sua história e levar um filme ao mundo, que não só irá mostrar os horrores da guerra, mas também a dignidade e resistência de um povo que eu respeito profundamente. Como Maddox e eu estamos preparando filme, nós iremos aprender mais sobre este país um ao lado do outro. Ele fará 14 anos na próxima semana e este é um momento muito importante para ele compreender melhor quem ele é. Ele é meu filho, mas ele também é um filho do Camboja. Este é o momento para a nossa família entender o que tudo isso significa para ele e para nós. Meu desejo de contar esta história da maneira mais verdadeira e precisa possível será a minha homenagem à força e à dignidade de todo o povo cambojano”.

Existem muitas histórias horríveis de pessoas que viveram sob o regime do Khmer Vermelho. O que existe especificamente nesta história que você acredita ser importante para ser mostrado em um filme?

“A intenção deste projeto não é para reviver os horrores da guerra, mas levar às telas personagens que pessoas ao redor do mundo possam se identificar e simpatizar; assim como também ajudar as outras pessoas a aprender mais sobre o Camboja. O que existe de especial nesta história especificamente é que ela é contada a partir do ponto de vista de uma criança de 5 anos de idade e se baseia na experiência de guerra emocional de uma criança. Esta história ilustra não são só a experiência vivida por uma criança durante o genocídio no Camboja, mas a experiência de todas as crianças que sofreram e sofrem com a guerra”.

Maddox estará envolvido com o filme ou com sua produção?

“Maddox estará nos sets de filmagens durante todos os dias depois da escola e estará envolvido com os bastidores. E sim, Maddox já está envolvido com a Fundação Maddox Jolie-Pitt e irá assumir meu papel quando ele for mais velho”.

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Jolie esteve na capital do Camboja, Phnom Penh, nesta segunda-feira fazendo pesquisas no Centro Bophana – em arquivo audiovisual co-fundado por Rithy Pan, um renomado documentarista cambojano cujo trabalho tem incidido sobre a tragédia promovida pelo Khmer Vermelho e que irá colaborar com o novo projeto da Netflix. O filme será rodado também na língua Khmer. Em um discurso feito durante a visita o Centro Bophana, Jolie disse:

“Nós vamos passar os próximos meses procurando por locações e fazendo testes com atores locais para o filme, mas o mais importante é pesquisar todos os eventos para termos certeza de que, historicamente, o filme mostre exatamente o que aconteceu e que devemos honrar não apenas Loung Ung e sua família, mas todas as pessoas que individualmente sofreram sob o regime do Khmer Vermelho […] O livro é um guia que conta a história de uma garotinha, mas nós vamos completar sua história com as experiências de outras pessoas e adicioná-las ao filme. Através da história de Loung Ung, nós também contaremos muitas outras de modo que o filme não seja baseado apenas na memória de uma criança, mas na memória coletiva do povo do Camboja”.

Fonte: The New York Times