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Jolie concede entrevista para a revista L’Officiel EUA

12 de setembro de 2026

Nesta sexta-feira, dia 11 de Setembro de 2026, a revista L’Officiel dos Estados Unidos publicou em seu canal oficial no YouTube mais uma entrevista exclusiva com nossa musa inspiradora – Angelina Jolie.

No vídeo, Jolie responde mais algumas perguntas sobre seu trabalho com o Atelier Jolie e sobre seu novo filme, “Without Blood”, que será lançado nos cinemas dos Estados Unidos no próximo dia 29 de Setembro. Confira abaixo a entrevista traduzida na íntegra pelo Angelina Jolie Brasil!

Vídeo:

Qual foi a maior surpresa ao fundar o Atelier Jolie?

“É uma coisa estranha porque eu passei a maior parte da minha vida, fazendo filmes. E você não percebe que está acostumada a fazer coisas que não são permanentes. E nunca havia passado pela minha cabeça que, normalmente, eu trabalho por cerca de um ano e construo algo para ser meio que desmontado depois. Eu percebi o quanto você precisa se dedicar a algo que vai levar tempo e crescer… E eu construí o Atelier para ser um lar para outros artistas. Então, a coisa mais difícil para mim – e a melhor coisa para mim – é que eu dependo de outros artistas para me ajudarem a construi-lo. E, embora tenha sido um desafio explicar do que se trata, abrir as portas e receber as pessoas de braços abertos, também construí uma família realmente incrível. E agora estamos construindo-o juntos. Então, agora está começando a acontecer.”

Qual a sua visão para o Atelier Jolie?

“Meu sonho para o Atelier era viajar ao redor do mundo e conhecer artistas incríveis, que não tinham oportunidade, talvez por conta de onde estavam, talvez por conta de suas experiências, de seus países, seja lá qual fosse essa barreira que os impedia, mas pessoas extraordinárias, pensadores e artistas que não tinham uma comunidade, uma rede de contatos e um lugar para serem vistos. Então, eu pensei que, se eu pudesse construir isso… Na minha mente, seriam como pequenas embaixadas da arte onde pessoas de todo o mundo poderiam se reunir… e nós estamos em negociações com Viena, com o Camboja e com diferentes países. Então, a ideia é que… Também teremos um artista residente vindo de Ruanda em Setembro… Ou seja, a esperança é que existam esses núcleos e que todos possam se revezar, dormir nos sofás uns dos outros, passarem momentos juntos e fazerem mais projetos juntos. Então… o sonho é esse tipo de rede internacional de um lugar que não seja construído por algum curador ou empresa de marketing, mas sim construído por artistas e para artistas.”

Para onde você espera que o Atelier Jolie vá a partir de agora?

“Sabe, é uma coisa engraçada quando você está criando algo e não sabe no que isso vai se tornar. Então, eu acho que o que mais me entusiasma é que estamos todos nos unindo, nos tornando amigos de verdade, estamos aprendendo sobre o trabalho uns dos outros e experimentando coisas novas juntos. Eu acho que é ótimo não sabermos no que isso vai se transformar, porque significa que não temos um plano, um objetivo além de sermos capazes de fazer nosso trabalho e compartilhá-lo. Mas eu tive a oportunidade de ver diferentes projetos começando a se concretizar. Eu vi pessoas de diferentes países e que trabalham em diferentes áreas, se unirem em projetos. Eu tenho um casal que também se formou. Ou seja, nós temos uma família. A casa, na verdade, pertencia a Warhol, que cedeu para Basquiat e… eu acho que todos nós temos uma ideia de como eram esses tempos passados, desses grandes movimentos artísticos, mas nós os idolatramos como se fossem perfeitos, como se soubessem quem eles iriam ser e como se tivessem um plano. E eu acho que o plano era criar um espaço para simplesmente ser, ser ousado, ter experiências de vida e experimentar coisas novas.”

Há algum artista ou artesão que desperte seu interesse ou te inspire no momento?

“Eu tenho gostado muito do trabalho de Ferrari Shepard, ele é um pintor, que também faz algumas joias e alguns vídeos. Ele é um artista muito interessante. Eu acho que o trabalho dele tem sido belíssimo. Hum… tem também minha amiga, Prune, que atualmente está em residência no Atelier. Eu acho que o trabalho dela é muito, muito bonito e significativo. Mas eu gosto de muitos artistas diferentes. Eu acho, sabe que não existe apenas uma pessoa. Qualquer um que seja ousado e venha de um lugar legal, eu apoio totalmente.”

Existem práticas criativas que você particularmente gosta?

“Existe uma prática chamada ‘Exquisite Corpse’. Tem um nome estranho, mas é um tipo de pintura feita por diferentes pessoas. Todo mundo faz uma parte e é muito legal. Pode procurar. A ideia é estar sentado em uma mesa, ir passando a tela de mão em mão e cada um faz uma parte dela, por isso se chama ‘Exquisite Corpse’ (Cadáver Esquisito). Pode ser também com uma jaqueta, onde cada um tenta adicionar algo nela… Eu amo isso.

Você tem algum conselho ou filosofia que possa inspirar as gerações mais jovens que buscam promover um tipo semelhante de mudança positiva no mundo?

“Nunca acho que eu sou a pessoa certa para dar conselhos a alguém. Tenho sempre a sensação de que ainda estou tentando entender tanta coisa… Mas acho que é importante entender que temos permissão para falhar. Dar, a você mesmo, a compreensão de que você não precisa saber tudo agora. Então, se você é uma pessoa apaixonada por uma questão global e quer ajudar… Você pode simplesmente começar, se importar, aprender… E você não precisa ser perfeito de imediato. Mas se for importante para você, é isso o que importa. Se isso realmente importar para você então, seja lá o que você ame fazer, você vai fazer isso bem e vai continuar fazendo, não importa o quão difícil seja, porque isso realmente importa para você.”

Na sua experiência, a narrativa é uma forma de defender uma causa?

“Eu acho que a narrativa é uma ótima forma de ativismo. Não da maneira que todo mundo imagina, sabe? Às vezes, basta simplesmente contar uma história humana com a qual as pessoas se identificam, vinda de um país que você não conhece e com o qual você não se sente tão próximo. Assim, você acaba rindo com pessoas que nunca conheceu. E isso pode ser mais importante do que apenas ouvir fatos sobre desafios, sabe? De estarmos próximos uns dos outros.”

Que tipo de história você acha que as pessoas precisam agora?

“Acho que em momentos como este, você pode até se inclinar para coisas mais leves, como comédias, ou coisas esperançosas, ou algo elegante, que leve as pessoas a um lugar agradável sabe? Como poesia ou beleza…”

Por que histórias difíceis como “Without Blood” são importantes?

“Este filme, que estreia em Setembro, é difícil de assistir e não estou dizendo que seja de forma intencional, mas é honesto dizer que, em situações de trauma real e pós conflito, simplesmente não existe aquele final feliz de Hollywood. Sabe, não é nada fácil. Não é fácil estar em um lugar como naquela mesa de restaurante. Não é fácil lidar com algumas dessas coisas e alguns desses pensamentos. Portanto, não é um filme fácil de forma alguma. Por isso, eu sou grata por ter tido a oportunidade de dar vida a este livro, pois eu sei que é difícil de assistir. No entanto, eu acho que a essência disso é muito importante para as pessoas e há algo muito bonito neste livro que me tocou, quando diz que nós ‘retornamos para o momento em que quebramos’. O que significa que, para todos nós, existe algum momento da sua vida, pode ser algo que aconteceu na sua infância, pode ser qualquer coisa na verdade, mas algo que realmente transformou quem você era e esse acontecimento, de alguma forma, te afeta tanto que você sempre acaba voltando para aquele momento, de alguma forma. Você acaba voltando para isso e acaba carregando isso com você. E isso é muito formativo. Então, eu acho que todos nós gostaríamos de ter a oportunidade de sentarmon em uma mesa, frente à frente com a pessoa que nos machucou, e ter a oportunidade de compreendê-la. Ou seja, é isso o que acontece neste filme. São duas pessoas com perspectivas diferentes, sobre uma situação de conflito, que teve um profundo impacto na vida de ambos quando eram jovens e que passarem anos lidando com as consequências disso. E agora, os dois estão ali dispostos a se sentarem em uma mesa e ouvirem a perspectiva um do outro.”

Você trabalhou com alguns dos diretores mais renomados da indústria cinematográfica. Que lições dessas colaborações ainda moldam a sua abordagem em novos projetos?

“Eu acho que o que eu mais aprendi é você não está sozinho nessa jornada. Então, realmente reúna cuidadosamente a equipe certa. Forme uma equipe, virem uma família, escutem uns aos outros. Saiba que todos tem uma mente brilhante em suas respectivas áreas. E se todos vocês se derem bem, então todos estarão trabalhando de forma unida. E é ai que você consegue extrair um do outro. E isso é ótimo e funciona muito bem.”

Quais foram alguns dos desafios na direção de “Without Blood”?

“Ter cuidado com os atores, pois os atores são atores muito fortes e talentosos. Salma, que é minha amiga, fez um trabalho incrível, mas eu sabia que ela teria que enfrentar muita coisa. Então, eu acho que quando você está incentivando – especialmente quando uma mulher está incentivando outra mulher – a confrontar seus traumas ou ir para aqueles lugares onde você sente como se estivesse gritando sozinha e pensando nas piores coisas de sua vida… Então você quer ajudá-la a chegar lá e depois quer ajudá-la a sair desse sentimento, ou você quer ajudar a criar um espaço bastante seguro… Então eu acho que foi isso. O desafio foi simplesmente complexo durante os momentos em que eu precisava ser bastante protetora com relação a saúde emocional de todos e, você sabe, desfrutar do processo. Isso foi tudo. Obrigada por me receber, L’Officiel.”

Várias capturas de tela foram adicionadas em nossa Galeria. Clique em qualquer uma das miniaturas abaixo para ter acesso ao álbum.


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