Jolie participa de mesa-redonda da revista THR
3 de janeiro de 2025
Recentemente, nossa musa inspiradora – Angelina Jolie – participou de uma entrevista ao estilo mesa-redonda na companhia das atrizes Demi Moore, Zendaya, Mikey Madison, Zoe Saldaña e Tilda Swinton, organizada pela revista The Hollywood Reporter.
A entrevista completa, que foi conduzida por Rebecca Keegan, foi disponibilizada na manhã desta sexta-feira, dia 03 de Janeiro de 2025.
Jolie ainda posou para fotos ao lado das colegas, registradas por Beau Grealy. Como o artigo abrange outras atrizes, traduzimos apenas os trechos relacionados a nossa musa. Agradecimentos especiais ao nosso colaborador, Guilherme Leite. Confira:
Por Rebecca Keegan
Era, como disse Tilda Swinton – olhando do outro lado da mesa em uma tarde de sábado de Novembro no Luckman Club da Soho House em West Hollywood – uma sala de “glamour escaldante”. Em meio ao calor de todo aquele carisma, havia três cachorros fofos farejando: o mini schnauzer preto de Zendaya, chamado Noon; o micro chihuahua de Demi Moore, chamado Pilaf; e o filhote de chihuahua de Mikey Madison, chamado Jam.
A ocasião para a reunião das favoritas ao Oscar e os cães que as amam foi a Mesa Redonda das Atrizes anual organizada pela “The Hollywood Reporter”, que este ano reuniu Angelina Jolie (“Maria Callas”), Zoe Saldaña (“Emilia Pérez”), Madison (“Anora”), Moore (“A Substância”), Swinton (“O Quarto Ao Lado”) e Zendaya (“Duna: Parte Dois” e “Rivais”) para uma conversa sobre como sobreviver e prosperar em uma Hollywood moderna.
“Muitas mulheres no passado não participavam de conversas como essa”, apontou Jolie sobre a vida às vezes solitária de ser uma mulher no mundo das artes. “Elas não tinham uma coletividade assim”.
THR: Quem aqui já assinou contrato para interpretar um papel para o qual realmente estava animada e depois foi para casa e pensou: “O que acabei de fazer?”
[…]
DEMI MOORE: Nas primeiras vezes que assisto, é sempre um tipo de dissecação do que você fez, do que você poderia ter feito – e então dar um passo para trás, ser capaz de realmente absorver o todo, e deixar de lado o apego do seu ego sobre o que as outras pessoas pensam. Mas mesmo agora, vocês conseguem se assistir? Eu não consigo me assistir.
ANGELINA JOLIE: Eu tenho bastante dificuldade em me assistir também. Há muitos filmes meus que eu nunca vi. Eu jamais vejo as gravações.
TILDA SWINTON: Há filmes que você nunca viu? Uau, isso deve ser tentador. Eu ficaria tentada.
ANGELINA JOLIE: Sim, porque eu… Acho que todos nós provavelmente temos um desconforto com a própria performance. Por mais que eu ame meu trabalho, não quero pensar em como eu estou ou como eu soo ou algo assim, eu não sei se seria muito libertador. Uma vez que finalizado, eu quero que a plateia se conecte, mas não há mais nada que eu possa fazer.
THR: Angelina, o que você aprendeu sobre si mesma cantando como Maria Callas?
ANGELINA JOLIE: Oh, muito. Eu tive alguém na minha vida que dizia que eu não sabia cantar. Eu não percebi o quanto isso me bloqueou. Eu não percebi o quanto eu não conhecia minha voz. Eu não entendia o quanto a vida pode mudar sua voz, seja por conta de um um parto ou de uma morte, ou por conta de alguém que você ama, doença ou o que quer que seja. Mas nós guardamos as coisas em nosso corpo. Nós mudamos o jeito que somos. E em algum lugar ao longo do caminho – tenho 49 anos – eu perdi minha voz. Então foi um presente ter esses sete meses [de treinamento], e ter alguém segurando minha mão e me ajudando a respirar fundo e tentar emitir um som novamente. Se vocês ainda não tentaram cantar ópera, eu recomendo para todo mundo, porque foi a única coisa que eu já fiz em que você usa todo o seu corpo físico, toda a sua voz e e toda sua emoção. E nós, especialmente como mulheres, raramente somos permitidas, solicitadas e encorajadas a entregar todo o nosso poder. Estamos sempre nos ajustando ao ambiente, aos nossos filhos, aos homens, à sociedade. Ao longo do caminho, algo se forma na gente e e acabamos não entregando tudo. Maria Callas é uma de nós. Ela era uma mulher que passava muito tempo sozinha em seu processo. É por este motivo que isso é tão adorável, estar sentada aqui, pensando nela e percebendo que ela não tinha isso. Muitas mulheres no passado não participavam de conversas como essa. Não havia muitas mulheres fazendo certas coisas e elas não tinham uma coletividade assim. Fiquei surpresa quando cheguei aqui hoje. Muitas de nós sabíamos da existência umas das outras. Porém, nunca nos conhecemos. É bem estranho.
DEMI MOORE: Não temos muitas oportunidades de nos conectarmos na forma de coletividade e refletir como artistas. Pode ser uma experiência bem isolante.
ZOE SALDAÑA: Você é encorajada a ficar isolada, né? Costumava haver aquela noção de que você sempre precisava permanecer super hiper focada em sua jornada e não buscar apoio. Ou não dar apoio.
TILDA SWINTON: É uma miragem, porque não é real. Quero dizer, todos nós sabemos o quão importantes nossas amigas são para nós. É tudo. Os homens dão a impressão de que não têm o mesmo tipo de sentimento coletivo juntos. Esse é o problema deles e eles precisam descobrir se é verdade. Provavelmente não é verdade, mas existe um estranho tipo de mito em torno disso. Mas esta é uma mesa linda, olhem o glamour desta mesa – com exceção de mim. Mas isso deve ser encorajado, Basta ver e bater papo como mulheres e reconhecer. Também existe
toda essa ideia de que as mulheres não fazem filmes. Quero dizer, como todas sabemos, as mulheres têm feito filmes como diretoras desde o início do cinema. Lois Weber foi a primeira diretora em 1904 ou algo assim. Essa é a realidade. Mas há um estranho tipo de hipnose
em torno disso. De que todas nós devemos esquecer isso e também que todas nós deveríamos ser colocadas umas contra as outras.
DEMI MOORE: Essa é a questão – não é uma competição. E essa tem sido a ilusão, que de alguma forma, foi trazida em contraposição a essa ideia de que quando alguma de nós ascende, todas ascendemos. E de que quando trilhamos nosso caminho de forma não isolada, também nos expandimos exponencialmente.
TILDA SWINTON: A ideia só há espaço para uma pessoa pode ser mais adequada aos homens, ou à sociedade dos homens, mas não acho que seja adequada para as mulheres. Eu acho que nós sabemos como fazer isso. Isso é o que fazemos. Sim. Você sabe, nós nos sentamos ao redor das mesas, conversamos, apoiamos umas às outras e testemunhamos umas às outras.
THR: Angelina, como o fato de já ter dirigido molda a maneira como você trabalha como atriz?
ANGELINA JOLIE: Eu sempre fui uma atriz que amava a equipe e entendia que eu era parte de um todo. Mas depois de dirigir um filme, você fica muito mais ciente de todas as peças, de todas as necessidades e fica muito consciente de que um ator é importante, mas também é uma parte do todo. Como atriz, achei a seleção do elenco muito interessante. Você pode estar procurando por algo, mas que não é uma apresentação perfeita ou uma leitura perfeita. É alguém que tem algo por trás dos olhos, alguém um pouco bagunceiro, alguém um pouco corajoso. Muito do que torna um ator interessante é ser uma pessoa interessante. Com relação aos atores, eu os incentivo e torço por eles.
THR: Tilda, quero terminar compartilhando algo que você disse em uma entrevista. Você estava falando sobre sua amizade com Almodóvar. Você disse que se conheceram em uma festa em Hollywood, onde acabaram se reunindo por se sentirem excluídos, que ambos “eram tímidos e entusiasmados e ficavam se beliscando, mas não confiantes o suficiente para intervir e conversar com, digamos, Angelina Jolie.”
TILDA SWINTON: Ela estava lá. Tínhamos Liza Minnelli aqui e Sacha Baron Cohen ali e Angie estava lá. E tanto Pedro quanto eu ficamos encantados com o glamour daquilo. Nós simplesmente não podíamos acreditar que estávamos presentes.
ANGELINA JOLIE: E eu provavelmente estava — porque nunca saio — me sentindo muito sozinha e não tinha certeza se alguém queria falar comigo. E provavelmente eu ficaria muito feliz se tivessem dito oi.
TILDA SWINTON: E esta é a verdade sobre os animais humanos: somos todos tímidos.

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• Fonte: The Hollywood Reporter
Vídeos:
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