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Angelina Jolie concede entrevista para o LA Times

17 de dezembro de 2024

Nesta terça-feira, dia 17 de Dezembro de 2024, o jornal LA Times compartilhou em seu website oficial a capa da edição do dia 19 de Dezembro da revista “The Envelope”, que traz nossa musa inspiradora – Angelina Jolie.

Além de uma nova entrevista, o jornal também publicou um novo ensaio fotográfico exclusivo registrado por Victoria Will. Confira a matéria completa abaixo, traduzida na íntegra:

Por Dave Itzkoff

Poucas semanas antes do mundo vê-la interpretar Maria Callas, a venerada soprano, Angelina Jolie esteve saboreando sua própria noite de ópera.

Em uma visita a Nova York no mês de Novembro, Jolie e Pablo Larraín – que a dirigiu no filme biográfico “Maria” – foram convidados ao Metropolitan Opera para assistir a uma apresentação de “Tosca”, a ópera de Puccini sobre a implacável diva de seu título.

No dia seguinte, Jolie e Larraín conversavam animadamente sobre o espetáculo que tinham visto no Met — sobre seu esplendor e majestade; sobre lugar especial no conjunto da obra de Callas; e sua adorada ária, “Vissi d’arte”, na qual Tosca declara: “Eu vivi pela arte, eu vivi pelo amor.”

Parecia um ponto culminante adequado para a longa imersão de Jolie na vida e na música de Callas, a diva estilosa e apaixonada que se tornou a maior estrela da ópera antes de se retirar das apresentações e morrer em uma espécie de semi-reclusão aos 53 anos.

Mas quando perguntaram a Jolie se ela conseguiria se imaginar subindo no palco do Met e exibindo algumas das habilidades que ela passou sete meses desenvolvendo para o filme, a atriz deixou claro que não nutria tais desejos.

“Meu Deus”, ela responde, como se lhe tivessem pedido para provar uma xícara de leite azedo. “Isso seria meu pesadelo. Isso seria assustador.”

“Maria”, agora em exibição na Netflix dos Estados Unidos, é uma dramatização de como Callas pode ter vivido seus últimos dias em 1977, vagando por Paris e refletindo sobre seu passado: uma infância conturbada; um caso tempestuoso com Aristóteles Onassis; e uma carreira de triunfos artísticos temperada por sua decisão enigmática de se afastar de tudo isso.

Não é difícil imaginar por que Jolie, 49, uma atriz vencedora do Oscar que passou décadas como objeto de fascínio público, pode se identificar com Callas: ela também interpretou memoravelmente sua cota de heróis e vilões, mães, esposas e filhas, e sabe muito bem como é ser mal interpretada por legiões de admiradores.

Descrevendo a afinidade que sentia com Callas, Jolie diz: “Nós duas somos mulheres muito emotivas que provavelmente são vistas como muito fortes, mas somos bastante vulneráveis, artistas emotivas que ficam muito sozinhas”.

No entanto, para Jolie encarnar completamente seu papel em “Maria”, ela precisaria de mais do que esse vínculo espiritual. A atriz poderia trazer seu próprio porte sobrenatural e poderia usar trajes suntuosos em cenários extravagantes — até mesmo no palco do La Scala em Milão. Mas ela também teria que deixar de lado um medo pessoal e aprender a cantar: não para se igualar a Callas — ninguém poderia fazer isso — mas para convencer o público daquilo que estão vendo no filme e canalizar uma conexão que Jolie e Larraín sentiam ser crucial.

“Não há nada que possa ajudar você a entender essa mulher mais do que estar em sua forma arte e sentir a música com ela”, diz Jolie.

Em uma sala de estar de um hotel de luxo em Manhattan, Jolie e Larraín se reuniram para uma conversa sobre “Maria” com Massimo Cantini Parrini, o figurinista do filme, e Eric Vetro, que foi o treinador vocal de Jolie.

Larraín, que anteriormente dirigiu os dramas históricos, “Jackie” (estrelado por Natalie Portman como Jacqueline Kennedy) e “Spencer” (no qual Kristen Stewart interpretou a Princesa Diana), diz que se sentiu atraído por essas mulheres extraordinárias que foram capazes de “encontrar sua própria identidade e ser quem eram por meio de suas próprias vontades e capacidades”.

Embora Larraín e Jolie tenham discutido possíveis colaborações ao longo dos anos, nada se concretizou até que o diretor pensou em fazer um filme sobre Callas, cujos discos ele cresceu ouvindo. Larraín, um fã de ópera de longa data desde sua infância quando vivia em Santiago, no Chile, mergulhou em biografias de Callas e artigos de jornais e revistas sobre ela.

Apesar de toda essa pesquisa, Larraín diz: “Não tenho certeza se eu sabia quem ela era. Eu estava pensando em fazer um filme sobre alguém que fosse indescritível, muito misteriosa e ao mesmo tempo muito magnética” — tudo isso parecia apontar para Jolie.

Mas quando Larraín pediu que ela interpretasse o papel, Jolie precisou de alguns dias para considerar a oferta. “Eu não tinha a confiança necessária em mim mesma para fazer isso”, ela diz.

Jolie não sabia cantar e enquanto Larraín vasculhava mecanismos de busca a partir da pergunta “Angelina Jolie já cantou diante das câmeras?”, ela esperava esconder a resposta dele. “Criativamente, como pessoa, eu tinha um bloqueio ali”, observa ela.

Casualmente esticada em um sofá na suíte do hotel, Jolie não conseguiu deixar de exalar uma parte da potência de celebridade que ela costuma exibir na tela. Ao longo da conversa, seus colegas de “Maria” rotineiramente elogiam sua beleza física, sua postura e sua atitude pé no chão.

Ao longo do trabalho deles em “Maria”, Cantini Parrini diz: “Ela ficava dizendo: ‘Vocês são meu time'”, uma falta de pretensão que ele diz ter sido fundamental para estabelecer “a intimidade necessária para criar aquela combinação entre o personagem e a pessoa”.

Jolie recebe essas palavras graciosamente, mas o elogio certo ainda pode furar suas defesas. Quando a descrevo — mãe de seis filhos, diretora, roteirista, filantropa e produtora ganhadora do Tony Award — como uma mulher com capacidade aparentemente ilimitada, ela parece momentaneamente surpresa.

“Obrigada,” ela diz, depois de uma pausa. “Você é o tipo de amigo que eu preciso.”

Ela também não tem vergonha de compartilhar como os requisitos de “Maria” conflitavam com suas sensibilidades particulares como artista.

Vetro, que também treinou atores como Timothée Chalamet, Austin Butler e Ryan Gosling para seus papéis de canto, descreve a primeira vez que Jolie o visitou em seu estúdio em Toluca Lake.

“Eu simplesmente tinha essa confiança”, diz Vetro. “Eu tinha esse instinto de que ela seria capaz de fazer isso.”

“Você pode contar a verdade sobre nosso primeiro encontro”, Jolie responde brincando.

“Bem”, diz Vetro, “ela estava muito, devo dizer…”

“Nervosa!” interrompe Jolie.

“Nervosa, sim,” Vetro concorda finalmente. “Um pouco de ansiedade sobre isso, sim. ‘Aterrorizada’ seria a palavra. E quando tentei fazê-la cantar, ela começou a chorar.”

No treinamento com Vetro, Jolie praticou exercícios de aquecimento e controle da respiração, os tons, sotaques e pronúncias corretas para suas árias e — por mais improvável que pareça para uma atriz com uma presença notoriamente escultural — como ficar em pé corretamente.

“Quando ela vocalizava, sua postura meio que encolhia um pouquinho, no começo. Eu fazia lembretes constantes para ela ficar ereta, o que ela nunca [geralmente] precisa,” diz Vetro.

O objetivo do trabalho deles não era transformar Jolie em uma diva da ópera — os cineastas reconhecem que o que o público ouve em “Maria” são gravações misturadas que usam os vocais de Jolie, bem como gravações originais das performances de Callas.

Larraín disse que, em vez disso, queria encontrar um meio termo entre o famoso tema de seu filme e sua igualmente eminente protagonista — uma maneira de inverter as expectativas de que Jolie teria que imitar Callas perfeitamente para interpretá-la. “Eu disse a ela: ‘Não, Angie, há algo que precisamos trazer de Callas para você.'”

Apesar de todo o desconforto que sentiu por ter que cantar, Jolie diz que também gostou do desafio apresentado a ela e da exigência de entregar o mesmo nível de seus colegas no filme.

“Eu admiro pessoas que dão um grande passo, mesmo que caiam. Quando vejo pessoas que são cuidadosas — cuidadosas demais — fico mais desconfortável por elas. Mas se vejo alguém sendo emocionalmente corajoso ou criativamente corajoso, torço por essa pessoa. Não as julgo.”

E nos momentos em que Jolie pode ter sentido essa ansiedade de forma mais aguda — digamos, ao recriar a performance de Callas de “Piangete voi?” de “Anna Bolena” de Donizetti no palco do La Scala, diante de centenas de figurantes e funcionários da casa de ópera — ela podia dizer a si mesma que estava simplesmente cantando para seu diretor, que geralmente estava a poucos metros dela, operando sua própria câmera.

“Quando estávamos sozinhos no palco, meu trabalho não era cantar”, explica Jolie. “Meu trabalho era interpretar uma personagem e contar uma história por meio da música.”

Se pareceu difícil filmar as cenas de “Anna Bolena”, Jolie diz que poderia pelo menos dizer a si mesma: “É uma cena louca” — uma sequência em que sua personagem na ópera supostamente está se desvendando. “Foi a mais difícil”, ela acrescenta, “mas aquele dia estava muito além da minha zona de conforto”.

Larraín diz que fez apenas um pedido para Jolie em meio àquele turbilhão de caos e emoção. Falando em um sussurro no palco, ele diz: “Eu me lembro, eu estava tipo, ‘Angie, por favor, mais alto. Cante mais alto, mais alto.'”

Jolie não é um livro totalmente aberto; há uma fala que ela diz no filme enquanto interpreta Callas, que menciona sua reputação pública e como ela é percebida pelo mundo quando diz: “Tomei liberdades durante toda a minha vida, e o mundo tomou liberdades comigo.”

A atriz – que também é alvo constante de escrutínio e especulação da mídia – sentiu alguma conexão com Callas nesse sentido? Jolie simplesmente devolve a pergunta para mim:

“Acho que os jornalistas do mundo todo assistem a este filme de forma um pouco diferente. Quando assistem, estão muito conscientes de como o trabalho deles afetou nós duas.”

Jolie também não está particularmente dominada pela angústia profissional que se tornou tristemente gratificante para Callas, cuja carreira meteórica acabou muito antes de ela alcançar seus anos dourados.

“Minha maternidade é a única coisa sem a qual eu não conseguiria viver”, diz Jolie. “Sério, você poderia tirar todo o resto, que eu ficaria bem.”

O que Jolie diz ter ganhado ao fazer “Maria” foi a percepção de uma artista que não poderia viver sem sua arte e o prazer de contar essa história na companhia de outras pessoas “ligeiramente quebradas” e “sensíveis”. “Eu fui assim durante toda a minha vida”, observa ela.

“Pessoas sensíveis sentem muito e se preocupam muito”, acrescenta ela. “Elas também criam muito e se conectam de maneiras lindas.”

“Uma das coisas mais bonitas de estar em um set de filmagem é que você está com centenas de outras pessoas assim”, continua ela, ouvindo risadas de seus colegas na sala.

“Todos nós nos encontramos. São todos sensíveis, todos criativos e todos são um pouco — você sabe, incomuns. E não necessariamente os mais estáveis.” ◾

As fotos já foram adicionadas em nossa Galeria. Clique em qualquer uma das miniaturas abaixo para ter acesso aos álbuns.

• Fonte: LA Times

 

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