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Jolie se reúne com Conselho de Segurança da ONU

18 de julho de 2020

Na manhã desta sexta-feira, dia 17 de Julho de 2020, o Conselho de Segurança realizou um debate de alto nível sobre a violência sexual em conflitos que aconteceu durante uma mesa redonda virtual. O encontro foi organizado pela República Dominicana como parte do evento “Mulheres, Paz e Segurança”.

Vários ministros das Relações Exteriores dos países membros do Conselho juntaram-se à Representante Especial das Nações Unidas para a Violência Sexual em Conflitos e subsecretária-geral das Nações Unidas, Pramila Patten, para chamar a atenção para o problema agravado pela pandemia do novo coronavírus

Dentre os participantes estava a cineasta Angelina Jolie, que também trabalha com a Agência da ONU para Refugiados, (UNHCR / ACNUR), há cerca de 20 anos.

Jolie contou que falava em nome das crianças, que segundo ela são geralmente esquecidas nessa situação. Para ela, as resoluções do Conselho de Segurança, se não passarem das palavras à ação, tornam-se apenas “promessas vazias”. Ela lembrou que a resolução de nº. 2467, adotada no ano passado, foi a primeira a colocar os sobreviventes de violência sexual em conflito no centro das ações.

Angelina Jolie afirmou que, ao não executar a resolução, os países quebram com suas promessas. Ela contou que visitou vários sobreviventes de violência sexual e de violência doméstica, que passaram por traumas e abusos durante as viagens de campo que fez.

A atriz lembrou que todos os continentes e países são afetados com esse problema. A Enviada Especial do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados falou sobre crianças vítimas do grupo terrorista Estado Islâmico ou Daesh, que foram sequestradas escravizadas e torturadas. O grupo alvejou milhares de mulheres e crianças.

Angelina Jolie contou que muitos menores foram assassinados, mas cerca de 2 mil conseguiram retornar à casa. Muitos sofrendo de estresse, ansiedade e depressão. Várias crianças testemunharam o assassinato de parentes e estupros das próprias mães.

Uma das médicas ouvidas pela atriz, que atendia centenas de mulheres Yazidi, afirmou que quase toda a paciente que ela atendeu, entre 9 e 17 anos, havia sido estuprada ou havia sido vítima de outros atos de violência sexual. Em alguns casos, as vítimas tinham de 6 a 9 anos de idade.

Angelina Jolie pediu por mais recursos para as áreas de assistência às vítimas de violência sexual e conflito e mais apoio para os trabalhadores humanitários e defensores de direitos humanos que ajudam os sobreviventes ao redor do mundo.

A Enviada Especial concluiu sua fala, pedindo ao Conselho de Segurança que faça um novo compromisso com os termos da resolução aprovada no ano passado, que inclui sanções aos autores de crimes de violência sexual em conflito. Para ela, este é o momento de passar da retórica à ação e todos os países podem fazer mais.

Fonte: ONU News

 

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