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02.fev
The New York Times publica artigo escrito por Angelina Jolie

Recentemente, o novo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto proibindo a entrada de refugiados e imigrantes advindos da Síria, Iraque, Irã, Líbia, Sudão, Iêmen e Somália. Por conta desta decisão, o governo norte americano está enfrentando protestos e hostilidade.

Em meio a este cenário político, a Enviada Especial do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, Angelina Jolie, decidiu se manifestar pela primeira vez a respeito do assunto. Nesta quinta-feira, dia 02 de Fevereiro de 2017, o jornal ‘The New York Times’ publicou em seu site oficial, um artigo escrito por ela, intitulado “A política dos refugiados deveria ser baseada em fatos, não em medo”. Confira na íntegra, o artigo traduzido exclusivamente pelo Angelina Jolie Brasil:

A política dos refugiados deveria ser baseada em fatos, não em medo

Por Angelina Jolie

Os refugiados são homens, mulheres e crianças que foram apanhados pela fúria de uma guerra ou que se encontram no centro de uma perseguição. Longe de serem terroristas, os refugiados são, muitas vezes, vítimas do terrorismo.

Tenho orgulho da história do nosso país em dar abrigo às pessoas mais vulneráveis. Os americanos tem derramado sangue ao defender a ideia de que os direitos humanos transcendem a cultura, geografia, etnia e religião. A decisão de suspender a reinstalação dos refugiados nos Estados Unidos e de negar a entrada de cidadãos de sete países que são, em sua maioria, muçulmanos, foi recebida de forma chocante pelos nossos amigos ao redor do mundo, precisamente por causa dos atuais recordes.

A crise global de refugiados e a ameaça do terrorismo fazem com que seja inteiramente justificável considerarmos as melhores formas para proteger nossas fronteiras. Todo governo deve equilibrar as necessidades dos seus cidadãos com sua responsabilidade internacional. Mas nossa resposta deve ser mensurada, baseada em fatos e não em medo.

Como mãe de seis filhos, todos nascidos em terras estrangeiras e orgulhosos cidadãos americanos, eu também quero muito que nosso país seja seguro para eles e para todos os filhos da nossa nação. Mas eu também gostaria de saber que as crianças refugiadas, que necessitam de asilo, também terão a chance de defender sua situação a uma América compassiva. E que nós podemos gerenciar nossa segurança sem barrar cidadãos de um país inteiro – até bebês – com a justificativa de que não é seguro visitar nosso país em virtude da geografia ou da religião.

Simplesmente não é verdade que nossas fronteiras estão sendo invadidas ou que os refugiados são admitidos nos Estados Unidos sem nenhum rigoroso escrutínio.

Os refugiados são, de fato, são alvos do mais alto nível de perseguição do que qualquer outra pessoa que viaja para os Estados Unidos. Isso inclui meses de entrevistas, de verificações de segurança realizadas pelo FBI, pelo Centro Nacional Contraterrorismo, pelo Departamento de Segurança Interna e pelo Departamento do Estado.

Além disso, apenas as pessoas mais vulneráveis são encaminhadas para reassentamento: sobreviventes de tortura, mulheres e crianças em risco ou que podem não sobreviver sem uma assistência médica especializada. Visitei incontáveis acampamentos e cidades onde centenas de milhares de refugiados mal sobrevivem e onde cada família passou por um sofrimento. Quando a Agência Nacional das Nações Unidas para os Refugiados identifica aqueles que mais precisam de proteção, podemos ter certeza de que eles realmente merecem a segurança, o abrigo e novo começo que países como o nosso podem oferecer.

Keith Negley, The New York Times

E na verdade, apenas uma minuscula fração – menos de um por cento – de todos os refugiados no mundo, são para sempre reassentados nos Estados Unidos ou em qualquer outro país. Existem mais de 65 milhões de refugiados e de pessoas desabrigadas ao redor do mundo. Nove em cada 10 refugiados vivem em países pobres ou de renda média, e não em países ricos do Ocidente. Existem, pelo menos, 2.8 milhões de refugiados sírios apenas na Turquia. Apenas cerca de 18.000 refugiados sírios foram reassentados na América desde 2011.

Essa disparidade aponta para outra, mais preocupante realidade. Se enviarmos a mensagem de que é aceitável fechar as portas para os refugiados, ou que é aceitável descriminá-los com base na religião, nós estaremos brincando com o fogo. Nós estamos acendendo um fusível que irá queimar ao redor dos continentes, incitando a verdadeira instabilidade que estamos procurando proteger, contra nós mesmos.

Nós já estamos vivendo a pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Existem países na África e no Oriente Médio que estão com superlotação de refugiados. Durante gerações, os diplomatas norte americanos se juntaram às Nações Unidas ao estimular países em manter suas fronteiras abertas e em manter os padrões internacionais de tratamento aos refugiados. Muitos fazem isso com uma generosidade exemplar.

Qual será a nossa resposta se outros países usarem a segurança nacional como desculpa para começar a mandar as pessoas embora, ou para negar direitos com base na religião? O que isso pode significar para os rohingya de Myanmar, para os refugiados somalis ou para as outras milhões de pessoas desabrigadas que são muçulmanas? E como isso reage com a proibição absoluta do direito internacional com relação à discriminação baseada na fé ou na religião?

A verdade é que mesmo que os números de refugiados que nós recebemos seja pequeno, e que nós fazemos o mínimo necessário, nós só fazemos para atender as convenções e os padrões das Nações Unidas que tanto lutamos para construir depois da Segunda Guerra Mundial, pelo bem da nossa própria segurança.

Se nós, norte americanos, dissermos que essas obrigações não são mais importantes, corremos o risco de gerar um “vale tudo”, no qual ainda mais refugiados serão negados a um lar, garantindo mais instabilidade, ódio e violência.

Se criarmos um grupo de refugiados de “segunda classe”, insinuando de que os muçulmanos precisam menos de proteção, nós estaremos alimentando o extremismo no exterior e, em casa, estaremos minando o ideal de diversidade que tanto os democratas quanto os republicanos apreciam: “A América está comprometida com o mundo porque muito do mundo está dentro da América,” nas palavras de Ronald Reagan. Se dividirmos as pessoas além das nossas fronteiras, nós estaremos nos dividindo.

A lição dos anos que passamos lutando contra o terrorismo desde o 11 de Setembro, é que cada vez que nós nos afastamos dos nossos valores, pioramos os problemas que estamos tentando conter. Nunca devemos permitir que nossos valores se tornem os danos colaterais na busca de uma segurança melhor. Fechar nossas portas para os refugiados ou criar discriminação entre eles não é nosso caminho e não nos torna mais seguros. Agir pelo medo não é nosso caminho. Segmentar o mais fraco não mostra força.

Todos nós queremos manter nosso país seguro. Portanto, devemos olhar para as forças terroristas – para os conflitos que dão espaço e oxigênio aos grupos como o Estado Islâmico, ao desespero e à anarquia dos quais se alimentam. Nós devemos ter uma causa em comum com as pessoas, de todas as crenças e origens, em lutar contra a mesma ameaça e em procurar a mesma segurança. Para isto, é onde eu esperaria que qualquer presidente da nossa grande nação conduziria, em nome de todos os norte americanos.

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Angelina Jolie é cineasta e é a Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Fonte:

The New York Times



04.nov
Em meio ao divórcio, Jolie escreve artigo sobre a violência sexual

Nesta quinta-feira, dia 03 de Novembro, foi disponibilizado através do site oficial da Escola de Economia e Ciência Política de Londres (London School of Economics and Political Science – LSE), um artigo escrito pela Enviada Especial do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (UNHCR/ACNUR), Angelina Jolie, e pelo Primeiro-Secretário de Estado Britânico, William Hague, sobre a violência sexual em conflitos.

Os dois são Professores Visitantes da Universidade no novo curso de mestrado sobre mulheres, paz e segurança que busca promover a igualdade entre os sexos e ajudar as mulheres afetadas pelos conflitos ao redor do mundo. De acordo com a instituição, os professores convidados darão conferências, participarão de oficinas e de eventos públicos. As matrículas para o referido curso foram iniciadas no mês de agosto deste ano. Confira, abaixo, o artigo traduzido na íntegra pelo Angelina Jolie Brasil:

A violência sexual relacionada com conflitos é um crime passível de prevenção e deve ser uma prioridade para o novo Secretário Geral da ONU

William Hague e Angelina Jolie pedem por uma ação global concertada para por fim nos conflitos relacionados com a violência sexual e para combater atitudes sociais que estigmatizam sobreviventes e normalizar a violência contra as mulheres.

A lista de problemas que se encontra na bandeja de entrada do novo Secretário Geral das Nações Unidas é uma das mais assustadoras que alguém já recebeu nesta posição. É uma sorte que o novo Secretário seja António Guterres, pois a ONU terá um líder que possui uma inigualável experiência com relação às questões humanitárias e aos refugiados.

Durante o processo de seleção para eleger o novo Secretário, Sr. Guterres foi questionado sobre como o mundo deverá mensurar o sucesso do próximo Secretário Geral da ONU. E ele respondeu: “por sua contribuição em reduzir o sofrimento humano, especialmente, o sofrimento causado pelos conflitos violentos e por atrocidades”.

Nós não poderíamos concordar mais. O objetivo fundamental da ONU, estabelecido na Carta das Nações Unidas em 1945, era o de “preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra”. No entanto, a comunidade internacional está falhando na tentativa de por um fim nas guerras atuais, que estão se prolongando por décadas, assim como também na tentativa de proteger os civis de crimes de guerra persistentes, sob a brilhante atenção da mídia e da conscientização global. Para milhões de pessoas inocentes, o flagelo da guerra é uma realidade diária.

Existem apenas algumas manifestações de sofrimento humano piores que a violência sexual relacionada a conflitos. A cada ano, a ONU compila um relatório detalhando o impacto desses crimes a nível mundial. O relatório deste ano é de horrível leitura e deveria estar na mesa de todo Presidente, Primeiro Ministro, Ministro de Relações Exteriores e Ministro da Defesa ao redor do mundo. Ele descreve mulheres e meninas queimadas vivas depois de estupros em massa praticados na região sul do Sudão, descreve também meninos sendo sexualmente torturados pelas forças governamentais em centros de detenção na Síria.

O relatório ainda descreve as vítimas da região nordeste da Nigéria, Somália e Myanmar, que são obrigadas a casar com seus agressores, como uma forma aceitável de “liquidação” após o estupro. Ele revela a administração forçada e os tratamentos prejudiciais realizados pelo Estado Islâmico (ISIL) a jovens garotas no Iraque e na Síria, com a finalidade de acelerar o ato de masturbação para que possam ser vendidas como escravas sexuais, ou entregues como “recompensas” aos seus combatentes. O relatório confirma 29.000 casos de violência baseada em gênero na República Centro Africana apenas no ano passado – quase metade envolvendo estupro coletivo – levando-se em consideração de que o número real é, provavelmente, muito maior. Para cada estupro relatado em uma situação de conflito, estima-se que entre 10 a 20 casos não sejam registrados.

É um mito que a violência sexual é um subproduto inevitável dos conflitos. Esta é uma violação utilizada como uma tática de guerra, limpeza étnica e terrorismo. É realizada para humilhar, punir, dominar, aterrorizar, dispersar ou relocar civis de forma forçada. É um crime evitável que deve ser confrontado com a mesma determinação que o uso de bombas de fragmentação ou armas químicas. Não é uma questão que deve ser deixada de lado, que deve ser tratada apenas quando outros aspectos dos conflitos forem abordados. É uma parte indispensável na hora de atingir os objetivos das Nações Unidas, de salvaguardar a paz e a segurança internacional, a acabar com a pobreza e com o empoderamento das mulheres.

Nos últimos anos, tem havido progresso. 156 países comprometeram-se em acabar com o uso do estupro como arma de guerra. Planos de Ação Nacionais foram colocados em prática por alguns dos países mais afetados, incluindo a Somália e a República Democrática do Congo. O primeiro Protocolo Internacional, sobre como documentar e investigar crimes de violência sexual tem sido adotado. E durante uma Cúpula Global, que foi co-presidida por nós em Londres, em Junho de 2014, testemunhamos uma onda de esperança e otimismo com relação à possibilidade de um avanço na luta contra a violência sexual nas zonas de guerra, assim como também, testemunhamos novos comprometimentos feitos por diversas nações.

O Sr. Guterres tem um profundo entendimento a respeito do problema. Agora, nós precisamos que os governos nacionais o apoiem, utilizando todos os meios que se encontram à sua disposição, como Secretário Geral da ONU transformando isso em uma prioridade.

Em primeiro lugar, nós acreditamos que a luta contra a violência sexual deve ser exigida ao longo de todo o sistema das Nações Unidas, incluindo os mandatos de todos os mediadores e enviados da ONU. Isso é algo especialmente urgente no caso da Síria e do Iraque. As imagens horríveis de meninas iáziges que são vendidas em gaiolas são uma consequência direta da impunidade quase que total da violência sexual. Haverá um impacto devastador a longo prazo sobre a possibilidade de se conseguir paz sustentável e de estabilidade, se tais crimes forem, novamente, varridos para baixo do tapete.

Em segundo lugar, pedimos para as nações demonstrarem determinação política, clareza moral e unidade, para garantir que os agressores sejam responsabilizados. Isto também inclui acabar com a persistente impunidade da violência sexual, através das Forças da Paz da ONU. Isso significa garantir que as investigações e os procedimentos penais não sejam bloqueados ou impedidos, universalizando o treinamento pré-implementado a todas as Forças da Paz da ONU, incentivando mudanças na doutrina militar nacional para apoiar isso, e ajudando as organizações regionais, como a União Africana, a desenvolver suas capacidades. Recentemente, um importante trabalho tem sido liderado pelo Ministério de Defesa do Reino Unido para ajudar a galvanizar a ONU e as forças nacionais nesta área.

Em terceiro lugar, a obrigação de assegurar que as negociações de paz tenham uma participação significativa de mulheres, deve, finalmente, se tornar realidade. Isso é algo particularmente importante com relação aos conflitos envolvendo uma sistemática violência de gênero, e com relação a desigualdade de funções e de opressão praticadas visando perpetuar as condições de conflitos armados. A Resolução de número 1.325 do Conselho de Segurança da ONU faz 16 anos esta semana. Cumprir com esta obrigação não pode ser algo sempre deixado de lado até a próxima guerra.

Finalmente, esperamos que o Secretário Geral, Guterres, vá defender a necessidade de uma Cúpula Mundial em 2018, para manter os Estados comprometidos com os compromissos assumidos em Londres, em 2014, e inspirar novos progressos.

Nenhum desses passos podem ser realizados apenas pelo Secretário Geral da ONU, ou por apenas um único governo. Nós precisamos de um aumento de esforços e de ações em todo o mundo para quebrar tabus com relação à violência sexual em qualquer ambiente, para reverter a rejeição cruel e injusta com relação aos sobreviventes e para resolver atitudes em todas as sociedades que normalizam a violência contra as mulheres. O Centro Para as Mulheres, Paz e Segurança da LSE tem um papel importante a desempenhar – ajudando a manter os governos prestando contas, reforçando a mão dos praticantes ao redor do mundo, e atuando, ao lado de outros centros acadêmicos, como um laboratório de ideias e de boas práticas.

A ONU não existe para servir os interesses dos Governos mais poderosos do mundo. Ela existe para proteger aqueles que não possuem voz e para defender os direitos dos mais vulneráveis. É difícil pensar em um caso mais convincente para ação do que a situação de milhões de mulheres, de crianças e de homens que vivem sob a sombra e sob os encargos deste crime negligenciado.

Fonte:

London School of Economics and Political Science



09.set
Angelina Jolie visita campo de refugiados na Jordânia

Nesta sexta-feira, dia 09 de Setembro, a Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR/ACNUR), Angelina Jolie Pitt, visitou o campo de refugiados Azraq, na Jordânia.

A cineasta participou de uma coletiva de imprensa e, em seguida, fez um tour pelo campo acompanhada pelos oficiais da UNHCR que trabalham na região.

O acampamento foi construído para refugiados que fugiram da Síria por conta da Guerra que acontece no país, e é operado pela UNHCR juntamente com o Governo da Jordânia. Atualmente, o campo abriga mais de 60.000 refugiados.

Estas foram as palavras de Jolie, durante a Coletiva de Imprensa:

Esta é a minha quarta visita à Jordânia desde o início do conflito sírio. É quase impossível compreender o que os últimos cinco anos significaram nas vidas dos refugiados na Jordânia e outros locais da região. Não há uma só família neste campo de 60.000 pessoas, que não tenha sofrido perda e trauma.

Eu me reuni com uma família, nesta manhã, que fugiu de Daesh, em Raqqa, e então teve que se mudar mais vinte vezes, tentando encontrar segurança dentro da Síria. Nesse tempo, a mãe sofreu repetidos abortos e seus irmãos foram mortos em um ataque aéreo.

Aqui, existem crianças que não se lembram de viver em nenhum outro lugar além deste ambiente desértico e inóspito com cercas de arame farpado. Existem adolescentes que sofreram terríveis ferimentos físicos e mentais por conta do conflito – como, por exemplo, um menino de 13 anos que eu conheci, marcado por estilhaços de uma bomba de barril.

Mais da metade de todos os refugiados na Jordânia tem menos de 18 anos. Meus filhos também estão nessa faixa etária. Como qualquer mãe, é impossível, para mim, não imaginar como seria se meus próprios filhos estivessem nessa situação. Mas, por mais difícil que as condições sejam, os refugiados que se encontram aqui, se acham sortudos.

Além dos milhões de pessoas que se encontram presas dentro da Síria, cujas vidas estão em risco diariamente (75.000 sírios estão retidos em Berm, uma terra de ninguém que se encontra na fronteira com a Jordânia, incluindo crianças, mulheres grávidas e pacientes gravemente doentes). Eles não recebem alimento desde o começo de Agosto. Lá não existe nenhum acesso humanitário. Não existe nenhum mecanismo para evacuar aqueles que foram feridos durante a guerra. Nenhuma das proteções básicas no âmbito do direito internacional humanitário estão sendo aplicadas.

Este não é um problema da Jordânia, e ela não deveria ter de suportar tudo sozinha. A Jordânia vêm alertando, há anos, que irá chegar a um ponto onde não poderá fazer mais.

O mundo soube da situação em Berm há meses, mas nenhuma solução foi apresentada ainda.

Isto é sintoma de um problema maior. Mesmo com todas as boas ações, todos os esforços extraordinários que são realizados com os campos e com a generosidade das comunidades acolhedoras, é impossível dizer que nós, como uma comunidade internacional, estamos utilizando todas as ferramentas que estão dispostas, ou que nós chegamos perto de fazer o suficiente para a ajudar o povo sírio.

O Conselho de Segurança – cinco anos depois – permanece dividido sobre como chegar a um acordo político.

A utilização deliberada de cerco e fome, bombas de barril, ataques contra hospitais e, supostamente, armas químicas continua todos os dias.

E para todas as incontáveis cúpulas internacionais e conferencias de ajuda que aconteceram nestes cinco anos, a UNHCR e outras agências, ainda possuem apenas metade daquilo que é necessário para satisfazer as necessidades de terreno atualmente. Essa escassez tem consequências.

O abismo entre as nossas responsabilidades e nossas ações nunca foi tão grande.

Assim, minha mensagem aos líderes mundiais – que se preparam para a reunião na Assembleia Geral das Nações Unidas, que acontecerá dentro de dez dias – é que façam a pergunta fundamental sobre quais são as raízes do conflito sírio e o que é necessário para acabar com ele. E, por favor, coloquem isso no centro da discussão.

Qualquer aumento no financiamento da ajuda humanitária salva vidas e é muito apreciado, bem como absolutamente necessário. Mas vamos ser claros: os trabalhadores humanitários ainda estão esperando aquilo que foi prometido na última conferência.

Depois de cinco anos, os refugiados não querem saber por qual porcentagem suas vidas podem fracionariamente mais suportáveis. Eles querem saber quando eles poderão voltar para a casa. Eles não querem ser os beneficiários passivos da ajuda, eles querem uma solução política.

Finalmente, eu gostaria, se me permitem, falar para as pessoas da Jordânia – cuja decência, tolerância e humanidade eu profundamente admiro. Vocês deram tudo si para ajudar seus vizinhos sírios, desde quando o conflito começou. Vocês fizeram isso sabendo que seria extremamente difícil, que a guerra poderia durar anos, com enormes demandas de recursos e de serviços. Mesmo fazendo tanto, vocês ainda se dedicam em fazer mais e eu agradeço a Sua Majestade, O Rei, por suas decisões corajosas e prospectivas em ajudar inúmeros sírios a ter acesso ao trabalho e à educação na Jordânia. Obrigada por sua liderança moral.

Estimo as famílias da Jordânia e de toda esta região. Eid Mubarak.

E para aqueles que ainda não podem passar por momentos de alegria e de comemoração, mas passam por exílio, luto e sofrimento, saibam que meus pensamentos estão com vocês. Muito obrigada. Fonte: UNHCR

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• Trabalho Humanitário > 2016 > Jordânia – 09/09 (80x)



08.set
Jolie fala sobre manutenção da paz em evento da ONU

Nesta quinta-feira, dia 08 de Setembro, Angelina Jolie Pitt fez uma aparição surpresa durante uma reunião de cúpula das Nações Unidas que acontecia em Londres, na Lancaster House.

A cineasta e Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR/ACNUR), pediu por uma “nova forma de conduzir a manutenção da paz”, levando em consideração a inclusão de mulheres.

Em seu discurso, Jolie encorajou os países a assinar um acordo que busca aumentar a participação das mulheres em todo o processo de manutenção da paz.

“As forças de manuntenção da paz só tem a ganhar se envolverem mulheres, assim como os homens, para conseguir a confiança das populações locais. Quando me reuni com altos comandantes, pouco tempo atrás, para discutir os desafios que as tarefas de segurança enfrentam, eles foram claros ao dizer que mulheres, como agentes de manutenção da paz, e policiais são essencias para conseguir eficácia operacional com relação ao consentimento local. Existe uma linha divisória entre as nações que estão preparadas para se comprometer com este momento, e entender tudo o que é necessário e tudo o que somos capazes de alcançar juntos, e aquelas nações que não são”.

O acordo apresentado nesta quinta-feira, busca o comprometimento dos países em duplicar o número de mulheres envolvidas nas operações de manutenção de paz das Naçoes Unidas dentro de quatro anos, integrando as necessidades das mulheres em todas as etapas do processo de planejamento e equipando as missões para que possam responder à violência e às atrocidades em massa e eliminar todas as formas de abuso e exploração que possam ser praticadas pelos membros das missões de manutenção da paz.

A atriz e diretora, de 41 anos, manteve um olhar discreto durante seu discurso, usando um conjunto preto, sapatos de cor nude e o cabelo preso.

• Texto: People

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• Trabalho Humanitário > 2016 > Londres – 08/09 (30x)



20.jun
Angelina Jolie participa de reunião com o Secretário de Estado dos EUA

Na noite desta segunda-feira, dia 20 de Junho de 2016, a Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR/ACNUR), Angelina Jolie Pitt, participou de uma reunião com John Kerry, 68º Secretário de Estado dos Estados Unidos, no Departamento do Estado na cidade de Washington, DC.

Em comemoração ao Dia Mundial do Refugiado, Kerry e Jolie participaram de uma Coletiva de Imprensa para falar a respeito da situação dos refugiados ao redor do mundo.

Durante o evento, Angelina Jolie pediu às pessoas que compreendam que com 65 milhões de deslocados por conflitos, o mundo passou a enfrentar um quadro de guerras que não pode mais ser ignorado. Segundo ela, a inércia frente a esta situação é ingênua, irresponsável e perigosa.

Já o secretário de Estado americano, John Kerry, elogiou o empenho da atriz em seu trabalho com o UNHCR, destacando que Jolie já viajou a vários países para conhecer de perto a situação dos refugiados.

Angelina também ressaltou a magnitude da crise de refugiados para a situação da paz e da segurança internacionais. Ela afirmou que a solução não pode ser somente baseada em reassentamentos e ajuda humanitária, mas tem que passar por estabilidade e retornos voluntários daqueles que fogem de suas casas.

Ela concluiu dizendo que um dos efeitos da crise de refugiados é o aumento da intolerância e da xenofobia. Para Angelina Jolie, liderança e soluções são necessárias para conter a crise.

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• Trabalho Humanitário > 2016 > Nova York – 20/06 (50x)



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