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16.mar
Angelina Jolie renova compromisso com a UNHCR

Nesta quarta-feira, dia 15 de Março de 2017, a Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR/ACNUR) – Angelina Jolie – se reuniu com o Alto Comissário, Filippo Grandi, para renovar seu compromisso com os refugiados ao redor do mundo, dizendo para a Agência das Nações Unidas que estaria com eles por toda a vida.

Jolie visitou a sede do ACNUR durante uma viagem de um dia a Genebra e falou com centenas de membros da equipe que estavam reunidos no pátio do prédio.

É como voltar para casa. Pisei aqui pela primeira vez há 16 anos e não tinha ideia do que o futuro reservava. Tenho certeza de que muitos de vocês às vezes sentem o mesmo.

Nos anos em que trabalhou com o ACNUR, Jolie observou que o número de pessoas forçadas a deixar suas casas por guerras e perseguições aumentou de 22 para 65 milhões, apresentando um desafio para o mundo e, em particular, para a Agência da ONU para Refugiados.

“Vocês têm mais pessoas sob seu cuidado, têm mais com o que se preocupar, têm mais a fazer, mas têm menos apoio. Eu não consigo imaginar o quão difícil deve ser para vocês virem trabalhar todos os dias”, disse Jolie.

O aumento do deslocamento ocorre num momento em que soluções duradouras para os conflitos e outras situações que levam ao deslocamento continuam difíceis de encontrar.

Entendo que há dias que enquanto vocês leem as notícias, fazem o trabalho de vocês e vão a campo, se perguntam ‘estamos fazendo o bastante? Será que seremos capazes de fazer o suficiente? Será que seremos capazes de administrar esta situação?’ Provavelmente, assim como a maioria dos oficiais de campo, eu sei que vocês pensam mais sobre aqueles que não conseguem ajudar do que em todos aqueles que receberam ajuda. Mas saibam que há uma razão pela qual estou tão orgulhosa de estar com o ACNUR: o trabalho que vocês desempenham, o que vocês fazem em campo, as vidas que vocês ajudam a salvar e as pessoas que ajudam a seguir em frente… Isso faz toda a diferença.

Ao falar dos muitos desafios enfrentados pelo ACNUR e pela comunidade humanitária em geral, Jolie incentivou os funcionários a “darem um passo à frente e dizerem quem são, por quem lutam e trabalham. Eu estou com vocês não apenas por conta do meu contrato. Estamos e continuaremos juntos. Depois que nos juntamos ao ACNUR, não conseguimos mais ir embora”.

A Enviada Especial relatou um episódio sobre visitas em campo, quando em conversas com funcionários do ACNUR durante jantares, o assunto inevitavelmente acabava em política ou refugiados. “Você não consegue evitar. É parte de quem você se torna. Então estamos aqui como uma família e eu estou com vocês”.

Ela concluiu, dizendo: “Espero representar o trabalho de vocês da melhor maneira possível, e que eu possa continuar a fazê-lo”.

Durante sua visita ao ACNUR, Jolie se reuniu com o Alto Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, para renovar seu acordo como Enviada Especial do ACNUR.

Ela também participou da conferência anual para a Fundação Sergio Vieira de Mello, que honra a memória e o trabalho do diplomata e membro do ACNUR, que foi morto no Iraque em 2003, quando o escritório da ONU em Bagdá foi bombardeado por terroristas.

Fonte:ACNUR

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15.mar
Angelina Jolie presta homenagem a Sergio Vieira de Mello

Nesta quarta-feira, dia 15 de Março de 2017, a Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR/ACNUR) – Angelina Jolie – participou de um evento em homenagem ao brasileiro Sergio Vieira de Mello, na cidade de Genebra, Suíça.

O evento começou às 18:30 (horário de Genebra) e aconteceu no Assembly Hall, Palácio das Nações, Escritório das Nações Unidas, na sede europeia da ONU.

Sergio Vieira de Mello nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1948 e foi funcionário da ONU durante 34 anos. Além disso, ele também foi Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Entretanto, ele faleceu no ano de 2003, juntamente com outras 21 pessoas, vítima de um atentado a bomba contra a sede local da ONU no Iraque. A organização extremista “Al Qaeda” assumiu a responsabilidade pelo ocorrido e afirmou que Mello era o alvo principal do ataque.

Durante o discurso, Jolie defendeu o trabalho das Nações Unidas e criticou líderes que se apoiam em um “nacionalismo estreito”, conseguindo se eleger em parte porque ignoram instituições e acordos globais.

“Eu sou uma norte-americana orgulhosa e a eu sou uma internacionalista”, afirmou a artista. Jolie disse que “uma nação forte, como uma pessoa forte, ajuda as outras a se erguer e ser independente”.

Para a intérprete, o internacionalismo significa “ver o mundo com um senso de justiça e humildade e reconhecer a nossa própria humanidade nas dificuldades dos outros”. Inclui a visão de que o sucesso não equivale a ser melhor ou maior que os outros, mas sim, a encontrar o seu lugar num mundo onde os outros também são bem-sucedidos”, acrescentou.

Jolie afirmou que o contexto atual “parece mais perturbador e incerto do que qualquer outro momento de sua vida”. O conflito na Síria acaba de completar seis anos, o mundo testemunha a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial e 20 milhões de pessoas estão à beira da morte por causa da fome no Iêmen, na Somália, Sudão do Sul e nordeste da Nigéria, lembrou Jolie.

Ao mesmo tempo, “vemos a re-emergência de políticas encorajando o medo e o ódio dos outros. Qual é a nossa resposta como cidadãos? Vamos nos retirar do mundo em que, antes, sentíamos uma responsabilidade de ser parte das soluções?”, questionou a atriz.

Para Jolie, a resposta às crises do presente é clara. “Se governos e líderes não estão mantendo acesa a chama do internacionalismo hoje, então nós, como cidadãos, devemos (fazê-lo)”, disse. “Temos que desafiar a ideia de que os líderes mais fortes são os mais dispostos a ignorar os direitos humanos em favor do interesse nacional.”

Ajuda humanitária gravemente subfinanciada

A atriz, que é também enviada especial da Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), cobrou que a comunidade internacional reconheça as consequências dramáticas do enfraquecimento da ONU.

Muitas vezes, os mecanismos da Organização são usados seletivamente, penalizando algumas nações e não outras. Noutras, países confiam à assistência humanitária o trabalho que deveria ser da diplomacia. O resultado é a atribuição de tarefas impossíveis ao organismo internacional que, logo em seguida, são subfinanciadas.

“Por exemplo, hoje, não há um único apelo humanitário em qualquer parte do mundo que esteja financiado ao menos pela metade do que é exigido. Na verdade, a situação é pior do que isso. Apelos para países à beira da fome receberam, por exemplo, 17%, 7% e 5% de financiamento”, explicou Jolie.

A artista reconheceu que a ajuda emergencial não é a resposta adequada para o longo prazo. “Mas sejamos claros, a assistência de emergência tem que continuar porque muitos Estados não podem ou não vão proteger os direitos dos cidadãos do mundo. É o que gastamos em países onde não temos diplomacia ou onde nossa diplomacia não está funcionando”, alertou.

Segundo a enviada do ACNUR, “um mundo no qual viramos as costas para as responsabilidades globais será um mundo que produz mais insegurança, violência e perigo para nós e para nossas crianças”.

Fonte: Nações Unidas

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Fotos:

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06.fev
Angelina Jolie entrevista fotógrafo da UNHCR, Giles Duley

Por Angelina Jolie.

Eu conheci Giles Duley no dia em que ele me apresentou para Khouloud, uma refugiada síria e mãe que se encontrava paralisada, do pescoço para baixo, depois de ser atingida por um tiro de sniper, e que vivia em uma pequena tenda em um campo de refugiados no Líbano, ao lado do seu amado marido e de seus devotos filhos. Eu sei que qualquer um que a conhecesse mudaria, completamente, o modo como vê e o que sente a respeito do povo sírio e dos refugiados. Poucas pessoas terão a oportunidade de conhecê-la pessoalmente, mas a fotografia de Giles apresentou Khouloud ao mundo.

Fotógrafos diferentes podem usar a mesma câmera, a mesma luz, ou fotografar a mesma coisa. Mas o que torna uma fotografia diferente da outra é a alma da pessoa que está atrás da câmera; os momentos que ela reconhece e é atraída – e a conexão emocional que faz. É isso o que eu amo nas fotografias de Giles. Olhando suas imagens, podemos sentir o que ele sente. Fica claro que ele se conecta profundamente com a condição humana das pessoas ao redor do mundo. Ele mesmo passou por uma provação. As pessoas dizem que a diversidade ajuda a aumentar a compaixão e a arte de Giles certamente parece expressar isso.

Uma mulher afegã, com seu bebê, sentada em choque na praia, momentos depois que seu barco desembarcou. Lesvos, Grécia. 28 de outubro de 2015. Giles Duley.

ANGELINA JOLIE: Você se descreve como um “contador de histórias” – o que está por trás da natureza e do poder das histórias que inspiram você?

GILES DULEY: As histórias tem um poder incrível. Eu, realmente, não entendo, mas elas tem um mojo, uma magia que nos ajuda a compreender o mundo e os outros. Desde o nascimento da humanidade, nós temos contado histórias uns aos outros. Nas fogueiras, através das pinturas rupestres, livros e filmes; contar histórias é fundamental para a nossa cultura e para a nossa existência. Eu sigo essa tradição. Eu não sou um jornalista – eu não foco em fatos e figuras. Eu estou interessado na nossa humanidade compartilhada, na nossa empatia pelos outros e nos detalhes da vida que nos ajudam a nos conectar.

ANGELINA JOLIE: Você conta histórias para mudar as percepções e as emoções das pessoas, mas você encontrou histórias que mudaram você também?

GILES DULEY: Minha história vive nas histórias dos outros. Este trabalho é minha vida, então, é claro que isso me afeta profundamente. Muitas das pessoas, cujas vidas eu documento, eu já conheço há anos. Elas são minhas amigas e, às vezes, eu luto para conseguir dormir sabendo onde elas estão e sentindo que não tenho feito o bastante. Mas este trabalho também me dá muita vida; as experiências e as amizades me proporcionaram risadas e lágrimas, e eu recebi muito mais do que dei.

AJ: Depois de um ano cobrindo a crise de refugiados, da Europa ao Oriente Médio, você aprendeu alguma coisa que não estava esperando?

GD: Eu fiz a cobertura dos efeitos gerados pelos conflitos nos civis, ao redor do mundo, durante uma década. O que eu não esperava era fazer a cobertura dessas histórias na Europa. Talvez seja uma coisa óbvia de se dizer, mas estar em Lesvos, conhecer afegãos, sírios e iraquianos que fugiam das guerras era algo que eu já estava acostumado, mas ao ver essas pessoas chegando às margens da Europa, percebi o quão pequeno e interconectado nosso mundo realmente é. O que mais me chocou foi a resposta da Europa dada para a crise, ou melhor, a falta dela. Foi vergonhoso.

AJ: Sua fotografia tem uma força emocional crua. Você mostra as pessoas como elas são e não como elas são rotuladas pelo mundo. Seus alvos não são as “vítimas” ou os “refugiados”, mas as pessoas, assim como nós. Por que é tão importante para você mostrar a humanidade das famílias afetadas pelos conflitos?

GD: Nunca foi algo que eu realmente considerei fazer, ou algo que eu tenha pensado sobre. Isso veio naturalmente pela maneira que eu trabalho. Eu vejo todas as pessoas da mesma forma, não me importo com status, religião ou país. Eu vejo uma humanidade compartilhada. Onde quer que eu vá, as esperanças e os sonhos das pessoas são os mesmos; ver suas famílias protegidas, seus filhos educados, seus entes queridos tratados quando estiverem doentes. De certa forma, minha câmera é completamente democrática – não julga e nem rotula ninguém, vê todas as pessoas de forma igual.

AJ: Como sua própria experiência de adversidade afetou sua criatividade?

GD: Meu acidente mudou tudo. Depois de ficar um ano no hospital, me disseram que, provavelmente, eu jamais poderia trabalhar novamente ou viver de forma independente; ninguém acreditava que eu seria capaz de voltar a trabalhar de novo. Mas eu tomei uma decisão. Eu decidi que eu nunca me concentraria nas coisas que eu não poderia fazer. Em vez disso, eu me concentraria nas coisas que eu podia fazer, transcendendo a isso. Então, é claro, que eu sou severamente limitado como fotógrafo por conta dos meus ferimentos. Eu não posso me mover rapidamente, me ajoelhar ou subir em alguma coisa pra conseguir uma visão melhor. Eu fico cansado e vivo com dor, mas eu me concentro no fato de que, apesar de tudo isso, eu ainda consigo tirar fotos e fazer o trabalho que eu amo. E, por conta dos meus ferimentos, minha empatia e a conexão com as pessoas aumentou – e isso compensa o mal. Eu posso, honestamente, dizer que desde o meu acidente, eu fiquei mais forte, mais focado e me tornei um homem e um fotógrafo melhor.

AJ: Eu sei que muitas vezes, você volta para visitar as famílias que você fotografou. O fato das coisas mudarem tão pouco, já que eles continuam instalados em campos de refugiados, ou em acampamentos informais, com uma quantidade cada vez menor de comida e de dinheiro, alguma vez, já balançou sua fé em seu propósito? O que faz com que você continue vivendo nesses momentos mais sombrios?

GD: Se você acredita em uma história, você tem que continuar contando-a. Eventualmente, alguém vai ouvir. Muitas vezes, nós da mídia somos culpados por sempre passarmos para a próxima história. Se as coisas não mudaram para uma família, ou para uma comunidade, eu acho que é meu trabalho continuar mostrando. Mas é claro que você fica pra baixo. Voltar e ver alguém vivendo nas mesmas terríveis condições, faz com que eu sinta como se tivesse falhado. A história de Khouloud foi exatamente assim. Quando eu a visitei pela primeira vez em 2014, ela estava muito vulnerável e precisando de ajuda. Então, quando eu descobri que ela ainda estava vivendo na mesma tenda improvisada de dois anos atrás, eu senti uma pontada no estomago. Eu pensei “Qual é o objetivo de contar histórias se isso não muda vidas?” E então, eu fui visitar Khouloud e sua família e eu me acabei em lágrimas quando a vi. Durante dois anos, ela não tinha saído da cama, que fica em um minúsculo quarto sem janelas. Era como se fosse uma tortura e ela ainda estava sorrindo. As primeiras palavras que eu disse a ela foram: “Eu falhei com você”.

A Cruz Vermelha Grega tratava um refugiado afegão que estava sofrendo de hipotermia. O barco tinha afundado parcialmente, deixando os sobreviventes na água por quase seis horas. Lesvos, Grécia. 29 de outubro de 2015. Giles Duley.

Um pai carrega seus dois filhos do barco após o desembarque. Lesvos, Grécia. 26 de outubro de 2015. Giles Duley.

Zahra, 54, de Abou Dhour, perto de Idlib. Giles Duley.

Ibrahim, 25, de Idlib. Giles Duley.

Hussein, 8, de Aleppo. Giles Duley.

Halima, 60, de Idlib. Giles Duley.

Lamis, 5, e Jad, 1, de Homs. Giles Duley.

Murad, 5, de Idlib. Giles Duley

Khaled, 12, e seu irmão Fadi, 7, que é cego, de Homs. Giles Duley.

Depois de certo tempo, eu pensei nas minhas próprias palavras: “Se você acredita em uma história, você tem que continuar contando-a”. Então, foi o que eu fiz. Eu tentei documentar todos os momentos da história daquela família, para fazer melhor do que tinha feito antes. Alguns meses atrás, uma organização dos Estados Unidos, chamada “Atos Aleatórios” [Random Acts] entrou em contato comigo. Eles tinham visto a história dela e queriam agir. Nós trabalhamos juntos em uma campanha para arrecadar dinheiro e, no final, pessoas de mais de 100 países tinham doado cerca de 250.000 dólares para Khouloud e para outras três famílias que estavam vivendo no Líbano. Este é o poder de uma história. É por isso que eu faço o que eu faço e continuarei contando histórias até que alguém escute. Eu não acho que a fotografia pode mudar o mundo. No entanto, eu acredito que a fotografia tem o poder de inspirar as pessoas que podem.

AJ: Por que você acha que tão pouco mudou? O que nós estamos fazendo de errado? Se você tivesse a capacidade de influenciar a política externa dos Estados Unidos e de outras nações poderosas, o que você mudaria com relação às suas políticas migratórias, sobre as crise dos refugiados?

GD: A crise dos refugiados é um problema global que precisa de uma solução global. A maioria dos políticos tem sido mais reacionária do que visionária em sua abordagem. Enquanto os líderes mundiais não trabalharem juntos e não criarem um plano a longo prazo para combater as raízes dessas causas, a crise continuará. Infelizmente, eu não consigo ver isso acontecendo e, em vez disso, estamos vendo o uso contínuo de uma retórica negativa e temerosa por parte dos políticos. Se eu pudesse fazer alguma coisa? Eu levaria todos os políticos para visitar as famílias que eu documentei. Claro que eu não posso fazer isso, então eu vou continuar a me esforçar para levar as histórias até eles.

AJ: Você falou que tem esperança de que sua fotografia possa inspirar as pessoas a agir, a fazer o que puderem para ajudar a resolver a crise dos refugiados, dando dinheiro para fazer lobby junto aos governos e ajudar suas comunidades. É um dos seus objetivos contrariar o sentimento de impotência que as pessoas possam sentir diante da implacável cobertura negativa sobre os refugiados?

GD: A crise dos refugiados pode ser esmagadora para as pessoas. Diante do enorme número e da escala, as pessoas me dizem, repetidas vezes, “Mas o que eu posso fazer?” E diante da negatividade e do ódio vistos nas redes sociais, na imprensa e nas palavras de ódio pregadas pelos políticos, o senso de desamparo cresce. Mas eu acredito que nós podemos e devemos fazer a diferença. Acredito que nós devemos olhar para trás neste momento, como um ponto de vantagem na história da nossa humanidade; nós escolhemos dar as costas para aqueles que precisam ou escolhemos abrir nossos braços? Isso serve para aqueles que sabem que é certo se levantar, ser considerado e não ser silenciado. Nós podemos apoiar organizações que ajudam refugiados diretamente, arrecadar dinheiro para organizações como a UNHCR/ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), escrever aos políticos, falar através das redes sociais quando virmos um discurso de ódio. Nós não podemos mudar o mundo sozinhos, mas isso não pode nos parar de fazer o que fazemos. Se todos nós fizermos o que pudermos, então o mundo poderá mudar.

AJ: Recentemente, você descreveu uma mulher na Finlândia, que falava sobre os esforços de sua comunidade em ajudar refugiados sírios, dizendo: “É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão”. Parece que o mesmo pode ser dito sobre a sua fotografia. É uma caracterização justa?

GD: Em 2015, cem refugiados e pessoas que precisavam de abrigo, foram temporariamente alojados na pequena comunidade finlandesa de Nagu. Esta foi uma decisão que não foi muito bem recebida, e a maioria teve dúvidas. Em Nagu, eles formam uma pequena e muito unida comunidade que, durante os meses de inverno, recebe alguns visitantes. Eles tinham se preocupado com os jovens rapazes, com os ataques às mulheres e como os muçulmanos se integrariam aos seus costumes?

Um jovem afegão é cuidado por sua tia, enquanto sua mãe recebe tratamento médico de emergência. Lesvos, Grécia. 28 de outubro de 2015. Giles Duley.

Militares da Antiga República Jugoslava da Macedônia, usam fio de barbear para construir uma cerca de fronteira. Idomeni, Grécia. 29 de novembro de 2015. Giles Duley.

‘Muna’ com suas filhas. Em 2015, um míssil atingiu sua casa, matando dois de seus filhos. Ela também perdeu a perna devido a seus ferimentos. Jordânia. 27 de março de 2016. Giles Duley.

Khouloud com seu marido Jamal. Khouloud, que é de Mo’damiyat al Sham na Síria, foi baleada por um sniper em 2012. Ela ficou tetraplégica, paralisada do pescoço para baixo. Ela vive em um abrigo improvisado no Vale Bekaa com seu marido, Jamal, e seus quatro filhos. Jamal é seu cuidador em tempo integral. Giles Duley.

Aya, que tem espinha bífida, sendo empurrada em sua cadeira de rodas por seu irmão Mohamad. Trípoli, Líbano. 22 de fevereiro de 2016. Giles Duley.

Mas a comunidade tomou uma decisão – eles não tratariam essas famílias, que tinham vindo do Iraque e do Afeganistão, como refugiados. Em vez disso, eles iriam tratá-los como se fossem convidados. A recepção calorosa fez diferença, mas os benefícios não foram sentidos apenas pelos refugiados. Apesar das reservas iniciais, o povo de Nagu sente, agora, que foram os refugiados que lhes trouxeram algo. Uma mulher finlandesa, Mona Hemmer, descreveu a filosofia deles para mim. “É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão”. Eu não sei se essa frase reflete o meu trabalho, mas certamente eu aspiro por isso. Nos lugares mais escuros é onde você descobre a luz. Através do meu trabalho, eu consigo ver o melhor das pessoas, eu consigo testemunhar a força de uma família e ver o amor verdadeiro. São nesses lugares que eu escolho focar meu trabalho porque neles, nós vemos humanidade e esperança. Muitos fotógrafos querem mostrar as diferenças entre nós; eu quero mostrar as semelhanças. Apesar de mostrar a realidade crua, eu espero que minhas fotos também deem esperança.

Legado de Guerra

Uma família afegã chega em Lesvos, Grécia. Outubro de 2015. Giles Duley, Legados da Guerra.

O “Legado de Guerra” é um projeto fotográfico de cinco anos que explora os efeitos, a longo prazo, dos conflitos ao redor do mundo. Mais especificamente, o “Legado de Guerra” documenta o impacto duradouro da guerra nos indivíduos e nas comunidades, através das histórias daqueles que vivem em suas consequências.

Com a mídia dominante firmemente focada nas consequências econômicas e políticas, a curto prazo, dos conflitos, o “Legado da Guerra” está preocupado com aquilo que é humano e pessoal. Ele explora as paisagens locais e a vida cotidiana daqueles que são afetados pelos conflitos – muitas vezes, décadas depois dos tratados de paz terem sido assinados – e levanta questões que muitas vezes são negligenciadas pelas notícias e pela história dominantes. Para obter mais informações visite o website oficial do projeto: legacyofwar.com

Fonte:

Humanity Magazine, Citizens Of Humanity



03.fev
Angelina Jolie critica decreto de Donald Trump

Angelina Jolie falou nesta quinta-feira (2) sobre o decreto do presidente Donald Trump que impede a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana nos EUA. A atriz e ativista disse que tal medida atinge refugiados vulneráveis e pode alimentar o extremismo.

Sem mencionar Trump diretamente, Angelina afirmou em um artigo publicado no jornal “The New York Times” que discriminar com base na religião é “brincar com fogo”.

Jolie acrescentou que, como mãe de seis filhos acredita na necessidade de segurança para a nação, mas disse que decisões deveriam ser “baseadas em fatos, não no medo”.

“Quero saber se as crianças refugiadas que se qualificam para receber asilo sempre terão uma chance de postular seu caso a uma América compassiva”, escreveu.

A atriz também indagou se seria possível “cuidar de nossa segurança sem rotular cidadãos de outros países como uma ameaça”, em virtude de geografia ou religião, ao visitar os Estados Unidos.

O decreto de Trump barra por 90 dias a entrada de cidadãos de Síria, Iraque, Irã, Líbia, Somália, Sudão e Iêmen nos EUA. A admissão de refugiados foi suspensa por 120 dias, e os refugiados sírios foram proibidos indefinidamente.

A medida não causou consternação somente nas nações envolvidas, mas em outros países majoritariamente muçulmanos e em aliados como Alemanha e Reino Unido.

As celebridades de Hollywood também têm usado os holofotes para repudiar a ordem do presidente.

Vencedora do Oscar honorário por seu trabalho humanitário, Jolie visitou, em 2016, campos de refugiados no Líbano e na Grécia, onde conheceu famílias que fugiam de guerras no Oriente Médio.

A artista alertou que “ao insinuar que os muçulmanos são menos merecedores de proteção, alimentamos o extremismo no exterior”.

Clique aqui para ler o artigo traduzido na integra pelo Angelina Jolie Brasil.

Fonte:

Folha de S.Paulo



02.fev
The New York Times publica artigo escrito por Angelina Jolie

Recentemente, o novo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto proibindo a entrada de refugiados e imigrantes advindos da Síria, Iraque, Irã, Líbia, Sudão, Iêmen e Somália. Por conta desta decisão, o governo norte americano está enfrentando protestos e hostilidade.

Em meio a este cenário político, a Enviada Especial do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, Angelina Jolie, decidiu se manifestar pela primeira vez a respeito do assunto. Nesta quinta-feira, dia 02 de Fevereiro de 2017, o jornal ‘The New York Times’ publicou em seu site oficial, um artigo escrito por ela, intitulado “A política dos refugiados deveria ser baseada em fatos, não em medo”. Confira na íntegra, o artigo traduzido exclusivamente pelo Angelina Jolie Brasil:

A política dos refugiados deveria ser baseada em fatos, não em medo

Por Angelina Jolie

Os refugiados são homens, mulheres e crianças que foram apanhados pela fúria de uma guerra ou que se encontram no centro de uma perseguição. Longe de serem terroristas, os refugiados são, muitas vezes, vítimas do terrorismo.

Tenho orgulho da história do nosso país em dar abrigo às pessoas mais vulneráveis. Os americanos tem derramado sangue ao defender a ideia de que os direitos humanos transcendem a cultura, geografia, etnia e religião. A decisão de suspender a reinstalação dos refugiados nos Estados Unidos e de negar a entrada de cidadãos de sete países que são, em sua maioria, muçulmanos, foi recebida de forma chocante pelos nossos amigos ao redor do mundo, precisamente por causa dos atuais recordes.

A crise global de refugiados e a ameaça do terrorismo fazem com que seja inteiramente justificável considerarmos as melhores formas para proteger nossas fronteiras. Todo governo deve equilibrar as necessidades dos seus cidadãos com sua responsabilidade internacional. Mas nossa resposta deve ser mensurada, baseada em fatos e não em medo.

Como mãe de seis filhos, todos nascidos em terras estrangeiras e orgulhosos cidadãos americanos, eu também quero muito que nosso país seja seguro para eles e para todos os filhos da nossa nação. Mas eu também gostaria de saber que as crianças refugiadas, que necessitam de asilo, também terão a chance de defender sua situação a uma América compassiva. E que nós podemos gerenciar nossa segurança sem barrar cidadãos de um país inteiro – até bebês – com a justificativa de que não é seguro visitar nosso país em virtude da geografia ou da religião.

Simplesmente não é verdade que nossas fronteiras estão sendo invadidas ou que os refugiados são admitidos nos Estados Unidos sem nenhum rigoroso escrutínio.

Os refugiados são, de fato, são alvos do mais alto nível de perseguição do que qualquer outra pessoa que viaja para os Estados Unidos. Isso inclui meses de entrevistas, de verificações de segurança realizadas pelo FBI, pelo Centro Nacional Contraterrorismo, pelo Departamento de Segurança Interna e pelo Departamento do Estado.

Além disso, apenas as pessoas mais vulneráveis são encaminhadas para reassentamento: sobreviventes de tortura, mulheres e crianças em risco ou que podem não sobreviver sem uma assistência médica especializada. Visitei incontáveis acampamentos e cidades onde centenas de milhares de refugiados mal sobrevivem e onde cada família passou por um sofrimento. Quando a Agência Nacional das Nações Unidas para os Refugiados identifica aqueles que mais precisam de proteção, podemos ter certeza de que eles realmente merecem a segurança, o abrigo e novo começo que países como o nosso podem oferecer.

Keith Negley, The New York Times

E na verdade, apenas uma minuscula fração – menos de um por cento – de todos os refugiados no mundo, são para sempre reassentados nos Estados Unidos ou em qualquer outro país. Existem mais de 65 milhões de refugiados e de pessoas desabrigadas ao redor do mundo. Nove em cada 10 refugiados vivem em países pobres ou de renda média, e não em países ricos do Ocidente. Existem, pelo menos, 2.8 milhões de refugiados sírios apenas na Turquia. Apenas cerca de 18.000 refugiados sírios foram reassentados na América desde 2011.

Essa disparidade aponta para outra, mais preocupante realidade. Se enviarmos a mensagem de que é aceitável fechar as portas para os refugiados, ou que é aceitável descriminá-los com base na religião, nós estaremos brincando com o fogo. Nós estamos acendendo um fusível que irá queimar ao redor dos continentes, incitando a verdadeira instabilidade que estamos procurando proteger, contra nós mesmos.

Nós já estamos vivendo a pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Existem países na África e no Oriente Médio que estão com superlotação de refugiados. Durante gerações, os diplomatas norte americanos se juntaram às Nações Unidas ao estimular países em manter suas fronteiras abertas e em manter os padrões internacionais de tratamento aos refugiados. Muitos fazem isso com uma generosidade exemplar.

Qual será a nossa resposta se outros países usarem a segurança nacional como desculpa para começar a mandar as pessoas embora, ou para negar direitos com base na religião? O que isso pode significar para os rohingya de Myanmar, para os refugiados somalis ou para as outras milhões de pessoas desabrigadas que são muçulmanas? E como isso reage com a proibição absoluta do direito internacional com relação à discriminação baseada na fé ou na religião?

A verdade é que mesmo que os números de refugiados que nós recebemos seja pequeno, e que nós fazemos o mínimo necessário, nós só fazemos para atender as convenções e os padrões das Nações Unidas que tanto lutamos para construir depois da Segunda Guerra Mundial, pelo bem da nossa própria segurança.

Se nós, norte americanos, dissermos que essas obrigações não são mais importantes, corremos o risco de gerar um “vale tudo”, no qual ainda mais refugiados serão negados a um lar, garantindo mais instabilidade, ódio e violência.

Se criarmos um grupo de refugiados de “segunda classe”, insinuando de que os muçulmanos precisam menos de proteção, nós estaremos alimentando o extremismo no exterior e, em casa, estaremos minando o ideal de diversidade que tanto os democratas quanto os republicanos apreciam: “A América está comprometida com o mundo porque muito do mundo está dentro da América,” nas palavras de Ronald Reagan. Se dividirmos as pessoas além das nossas fronteiras, nós estaremos nos dividindo.

A lição dos anos que passamos lutando contra o terrorismo desde o 11 de Setembro, é que cada vez que nós nos afastamos dos nossos valores, pioramos os problemas que estamos tentando conter. Nunca devemos permitir que nossos valores se tornem os danos colaterais na busca de uma segurança melhor. Fechar nossas portas para os refugiados ou criar discriminação entre eles não é nosso caminho e não nos torna mais seguros. Agir pelo medo não é nosso caminho. Segmentar o mais fraco não mostra força.

Todos nós queremos manter nosso país seguro. Portanto, devemos olhar para as forças terroristas – para os conflitos que dão espaço e oxigênio aos grupos como o Estado Islâmico, ao desespero e à anarquia dos quais se alimentam. Nós devemos ter uma causa em comum com as pessoas, de todas as crenças e origens, em lutar contra a mesma ameaça e em procurar a mesma segurança. Para isto, é onde eu esperaria que qualquer presidente da nossa grande nação conduziria, em nome de todos os norte americanos.

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Angelina Jolie é cineasta e é a Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Fonte:

The New York Times



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