Arquivo da categoria: 'Revistas & Scans'
08.fev
Angelina Jolie estampa a capa da revista Elle

Angelina Jolie não tem um projeto para divulgar. Ela também não está estrelando ou dirigindo um filme que será lançado em Março. No entanto, contrariando os principais motivos de se estar na imprensa a ganhadora do Oscar é capa da revista Elle com a finalidade de chamar atenção para uma ocasião que não acontece nos tapetes vermelhos: o Dia Internacional da Mulher (8 de Março).

Durante a maior parte da última década, a cineasta de 42 anos de idade dedicou-se para lançar uma luz nos direitos das mulheres, ou destacar a ausência destes, ao redor do mundo. Servindo como Embaixadora da Boa Vontade e Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, ela completa quase 60 missões de campo, incluindo visitas ao Líbano, Jordânia e Iraque. Como co-fundadora da Iniciativa de Prevenção a Violência Sexual, ela se encontrou com sobreviventes de estupro em Ruanda e na Bósnia Herzegovina. Alguns dias antes de participar do ensaio fotográfico para a ELLE, o jornal “Guardian” publicou um pedido de Jolie por uma atitude contra a violência de gênero ao lado do Secretário Geral da OTAN, Jens Stoltenberg. Apesar de todo o seu trabalho, Jolie confessa que sempre foi reticente quando se trata de política. Ainda assim, ela reconhece que a ação política, às vezes, pode oferecer uma rota mais direta para conseguir mudar as coisas para melhor.

Para esta finalidade, a entrevista a seguir é uma conversa pensativa estabelecida entre Jolie e o político de longa data, John Kerry. Ela conheceu o estadista de 74 anos – veterano da Guerra do Vietnã, candidato presidencial e, mais recentemente, secretário de Estado dos Estados Unidos – há cinco anos durante a Cúpula do G8 em Londres. É uma manhã frígida de Dezembro e os dois se reencontraram no Hotel Ritz-Carlton em Nova York. Kerry, que inesperadamente, encontrou sua filha Vanessa na rua, trouxe-a para um breve olá. Os quatro filhos mais novos de Jolie devem chegar em breve. Jolie está na cidade para receber o prêmio de Cidadã do Mundo, entregue pela Associação de Correspondentes das Nações Unidas, e para fazer compras de Natal. Ambos estão ansiosos para 2018, ano em que Jolie deve conversar com estudantes do Instituto Jackson da Yale sobre assuntos globais, onde secretário também supervisiona a Iniciativa Kerry. Ele, por sua vez, concordou em falar na London School of Economics, na qual Jolie é professora visitante. A entrevista aborda uma pequena porção dos grandes problemas que ambos estão trabalhando incansavelmente para remediar.

Angelina Jolie: Obrigada por conversar comigo em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

John Kerry: O prazer é meu. Como está sua família?

AJ: Tudo bem. As crianças estarão aqui em breve. Você já possui netos?

JK: Eu estou passando pela melhor fase da minha vida como avô. Elas são muito espertos, é assustador.

AJ: Elas realmente são, só pela clareza que possuem…

JK: Eu acabei de voltar da Cúpula Climática em Paris. Eu sei que isso é algo pelo qual você se importa, já que nós temos que estar envolvidos globalmente.

AJ: Essa seria uma das coisas que eu adoraria conversar com você. Existe esta questão de, você pode ser um Cidadão do Mundo e ainda ser patriota? Essa nem deveria ser uma questão.

JK: É algo que nós precisamos falar mais. O que significa ser americano. Nós precisamos fazer um trabalho melhor ao explicar porque os americanos devem se sentir orgulhosos das coisas que fizemos nos países ao redor do mundo.

AJ: Eu sou muito patriota, assim como eu sei que você também é. Para mim, isso vai de mão dadas com o fato de ser orgulhoso por aquilo que a América representa. Por exemplo, eu sou a única pessoa na minha casa que nasceu nos Estados Unidos.

JK: Eu não estava ciente disso.

AJ: É só pelo motivo de que nós somos um país formado por pessoas de diferentes origens e crenças, que eu posso ter essa família. Minhas filhas tem as liberdades que tem por serem americanas. E nós estamos fazendo o nosso melhor quando estamos lutando para que as outras pessoas tenham os mesmos direitos. Particularmente, outras mulheres.

JK: O desafio é descrever como um conflito no norte da África, ou em qualquer outro lugar, está relacionado com todos nós. Como isso afeta a imigração, o terrorismo e a economia.

AJ: A forma que eu vejo é que, mesmo que você seja uma pessoa que não quer se preocupar com questões internacionais, você ainda será afetado. Não tomar uma posição é perigoso.

JK: No ano passado, nós tivemos uma discussão no Instituto Jackson, em Yale, sobre a mudança climática. Quando você diz “Salve o planeta” a maioria das pessoas revira os olhos. Mas, novamente, trata-se de como isso afeta todos nós, principalmente, os trabalhos. E se você é um agricultor e as coisas não crescem em alguns lugares? O que significa termos tempestades mais frequentes e super destrutivas?

AJ: Deve ser um momento frustrante, com a América se retirando do acordo climático.

JK: A verdade é que, mais de 90 cidades, incluindo Nova York, Miami e Los Angeles, estão 100% comprometidas em assinar o acordo de Paris. O povo norte americano não se retirou. As mudanças climáticas afetam negativamente todas as questões que você está trabalho: violência contra as mulheres, refugiados.

AJ: Já existem mais pessoas deslocadas pelas mudanças climáticas do que pelas guerras. O meio ambiente foi o que levou você para a política?

JK: Quando eu voltei do Vietnã, eu não protestei imediatamente. Eu ainda estava processando. Mas eu fiz parte do primeiro “Dia da Terra” em 1970. Recebemos mais de 20 milhões de pessoas e daí surgiram o “Clean Air Act”, o “Federal Water Pollution Control Act” e o “United States Environmental Protection Agency”. Advinhe quem assinou para a United States Environmental Protection Agency? Richard Nixon. Por que? Porque foi uma votação. Então, na eleição de 1974, nós apontamos 12 membro do Congresso, rotulando-os como a “dúzia suja”. Sete deles perderam seus assentos. Foi um estrondo. Todo mundo ficou chocado”.

AJ: Eu era bastante “anti-política” quando era jovem. Eu comecei a trabalhar com os direitos humanos e me encontrar com refugiados e sobreviventes principalmente porque queria aprender. Eu também tinha esta romântica ideia de que eu iria colocar um par de botas e me tornaria humanitária. Mas, em certo ponto, você percebe que não é o bastante. Você tem que encontrar a raiz do problema. E isso, muitas vezes, leva você de volta para a lei e para a política. Por exemplo, eu continuava me encontrando com refugiados que eram sobreviventes de estupros utilizados como armas de guerra. No entanto, não existiam condenações. Isso fez com que eu começasse a trabalhar com os governos e legisladores. Quando se trata do assunto, ainda vemos a violência contra as mulheres como um crime menor.

JK: É vergonhoso.

AJ: Você precisa identificar o que irá gerar mudança. Encontrar as pessoas na política com quem você pode trabalhar e que mantenham suas promessas.

JK: Isso é democracia: trata-se de responsabilidade. Você tem que batalhar e continuar cobrando. Você sente que está sendo bem sucedida?

AJ: Em alguns países a violência sexual é menos que uma discussão sobre tabu. É uma coisa que as pessoas mais esperam que seus líderes atuem. Mais de 150 países assinaram o compromisso de acabar com a impunidade do estupro em uma zona de guerra. Existem novas equipes para reunir provas e ajudar nos processos. Eu estava no Quênia em Julho passado, pois as tropas de manutenção da paz da ONU estavam recebendo um novo treinamento, já que as forças da paz fizeram parte do problema. Estamos trabalhando com a OTAN para o treinamento, proteção e obtenção de mais mulheres nas forças armadas. Mas ainda existe muito a se fazer.

JK: Quando eu era um jovem promotor, muitas das pessoas não acreditavam que a violência contra as mulheres fosse crime. Nós tentamos superar esse velho pensamento expandindo os programas de aconselhamento para vítimas de estupro, contratando e promovendo mais mulheres promotoras.

AJ: É exatamente isso: mudar o pensamento assim como as leis. Eu penso em quão difícil foi para as mulheres que lutaram para chegarmos onde estamos hoje. Tudo conta, da maneira que você se mantém em seu cotidiano, de como você se educa sobre seus próprios direitos, para se solidarizar com outras mulheres ao redor do mundo.

JK: Eu espero que os leitores entendam como suas vozes são importantes.

AJ: E que eles sintam que suas vozes estão sendo ouvidas. Eu falo para as minhas filhas, “O que te faz diferente é o que você está disposto a fazer pelos outros. Qualquer pessoa pode colocar um vestido e se maquiar. No entanto, é sua mente que define quem você é. Saiba quem você é, o que você pensa e o que você representa. E lute para que as outras pessoas possam ter essas mesmas liberdades. Uma vida de serviço vale a pena ser vivida”.

Fonte: Elle

Fotos:

01 02 03 04 05



20.nov
The Wrap entrevista Angelina Jolie e Loung Ung

A cineasta Angelina Jolie e sua amiga de longa data, Loung Ung, juntamente com o cineasta cambojano, Rithy Panh, foram entrevistados pela revista norte americana “The Wrap”. A conversa dos três foi recentemente publicada na edição de Novembro da revista, que trouxe ainda um novo ensaio fotográfico (photoshoot) feito pelo fotógrafo Yu Tsai. Confira abaixo a matéria traduzida na íntegra pelo Angelina Jolie Brasil.

Por Steve Pond

Angelina Jolie não é a única diretora, na corrida para ganhar o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, que não nasceu no país que seu filme representa, mas certamente é a mais famosa. Sendo uma norte americana cuja cidadania cambojana foi concedida uma década atrás, por conta do seu trabalho humanitário, Jolie retornou ao país para gravar “First They Killed My Father”, um filme lindo mas brutal que conta a história de Loung Ung, que tinha cinco anos de idade quando sua família foi expulsa da cidade de Phnom Penh em 1975.

Guiada para campos de trabalho forçados no interior do país pelo assassino regime do Khmer Vermelho, comandado por Pol Pot, Ung sobreviveu a um terrível tratamento nos seus quatro anos seguintes, enquanto observava seus pais e amigos se tornarem vítimas de um genocídio ostensivamente destinado a criar uma sociedade sem influência ocidental.

Ung sobreviveu e escreveu suas memórias, que tem como subtítulo “Lembra Uma Filha do Camboja” e que foi lançado no ano 2000. Jolie convidou Ung para co-escrever o roteiro e, então, trouxe Rithy Panh – diretor cambojano do extraordinário filme indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, “A Imagem que Falta” – para produzir o longa.

Gravado no Camboja com atores cambojanos, o filme foi exibido nos Festivais de Cinema de Telluride e Toronto antes de ficar disponível na Netflix. Jolie, Ung e Panh conversaram com a revista “The Wrap” quando se encontravam em Toronto sobre “First They Killed My Father” e sobre sua ressonância no mundo atual.

O que levou você a querer contar essa história?

ANGELINA JOLIE: O Camboja é um país que mudou minha miga quando viajei para lá 16 anos atrás. Na época eu me dei conta do quão pouco sabia sobre o mundo. Isso me deixou mais humilde e mais comprometida. Eu encontrei uma cópia do livro de Loung e eu amei o fato dela escrever suas memórias através dos olhos de uma criança. Esta foi uma forma de se conectar com o público e esta foi a forma que nós fizemos o filme. Agora, eu tenho um filho de 16 anos que é Cambojano e eu quis fazer esse filme ao dele e para ele. Mas, acima de tudo, para o Camboja porque eu acho que esta é realmente a hora de falar sobre isso. Eu queria fazer um filme não apenas sobre um país, mas junto com o país.

Loung, está é, basicamente, sua experiência quando criança e a experiência de sua família. Foi doloroso reviver essas experiências?

LOUNG UNG: Foi doloroso. Entretanto, eu senti que não eram apenas as minhas memórias que eu queria contar, era a história dos meus irmãos, dos meus pais e de muitos outros cambojanos que passaram por experiências similares entre os anos de 1975 e 1979. No período de 4 anos – ou 3 anos, 8 meses e 20 dias – do genocídio khmer, cerca de 2 milhões de cambojanos morreram. Eu queria homenagear suas vidas, espíritos, resiliência e humanidade. E também, eu queria que os descendentes dos meus pais, seus netos e bisnetos, que nunca tiveram a chance de conhecê-los, tivessem a oportunidade de saber que guerreiros, sobreviventes e pais amorosos eles foram. Isso foi importante para mim.

Você algum dia imaginou que isso se tornaria um filme?

LOUNG UNG: Foi um sonho. E eu sempre pensei que se isso acontecesse um dia, tinha que ser com a equipe certa, com as pessoas certas, que tivessem grande integridade, decência e bondade. E este, absolutamente, foi o time dos sonhos. Angie e Rithy e suas famílias, somos muito próximos. Isso está muito além do que eu imaginei. Mas, você sabe, quando você sonha, sonha grande mesmo, às vezes as coisas acontecem.

Rithy, você fez um filme muito pessoal sobre o genocídio cambojano alguns anos atrás, “A Imagem que Falta”. O que fez você acreditar que uma cineasta, que não passou por essas experiências, pudesse realmente fazer justiça?

RITHY PANH: Angelina veio me visitar quando ela foi ao Camboja e eu já a conhecia pelos filmes que tinha feito, sabe? Mas o que é mais importante, é que ela fez este filme junto com a gente. Nós não queremos ser vistos apenas como sobreviventes. Nós precisávamos de um ser humano com imaginação para fazer este filme. Nós precisávamos voltar para nossas imaginações. O genocídio não é apenas uma matança, ele também destrói sua identidade, sua imaginação. E você precisa aprender isso de novo, até que você seja capaz de imaginar, de fazer poesias. Alguém escreveu, um tempo atrás, que depois de Auschwitz, a poesia não era mais possível. Eu acho que depois de Auschwitz, nós precisamos de mais poesia, que nós precisamos de mais cinema, que nós precisamos de mais livros para conseguir explicar às pessoas o que é isso tudo. O que aconteceu conosco pode acontecer com você, já que a história se repete o tempo todo e nós precisamos deste tipo de filme para explicar à próxima geração, qual o valor do ser humano.

Este é um filme lindamente gravado, mas o que acontece nas telas é horrível. Angelina, foi complicado descobrir até que ponto o público iria aguentar e quanto você deveria mostrar?

ANGELINA JOLIE: Sim, mas eu realmente nunca pensei no público. Eu pensei mais em ser fiel à história, ser fiel à experiência. Porque o filme foi gravado a partir do ponto de vista da pequena Loung, portanto, o interessante é que você consegue aguentar o que ela consegue aguentar, quando ela consegue aguentar. Assim, quando ela é mais nova, ela constantemente olha para longe das coisas que ela não consegue lidar. E, de certa forma, a visão dela amadurece e cresce. Eu acho que no final, o público está mais preparado, assim como ela está, para realmente olhar as coisas e enfrentá-las. Portanto, isso foi bastante útil. Eu não gosto de palavrões, violência e sangue. E por não gostar disso, eu apenas mostro quando é realmente necessário. Eu acho que essas coisas podem ser mais eficazes se você as usa com cuidado, se você as usa de uma forma real e apenas quando é necessário. E elas foram certamente necessárias quando eu as usei.

Loung, como foi assistir este filme e ver suas próprias experiências de vida nas telonas?

LOUNG UNG: Foi uma experiência linda. Assim como muitas outras jornadas, existiram solavancos. Para mim, particularmente, existiram momentos tristes, momentos felizes e momentos de redenção e cura. E a coisa mais importante ao assistir este filme, foi ter a sensação de que eu não estou sozinha. Passar pela guerra quando eu era jovem, mesmo quando eu ainda estava ao lado dos meus pais e, posteriormente, quando eles foram levados e quando nós passamos a viver em vilarejos comunais com outras pessoas, você sempre está sozinho. É perigoso ficar junto com outras pessoas. É perigoso se emocionar, se apaixonar, ser um indivíduo, ser visto, ser ouvido. Você se encontra, realmente, se curvando para dentro e tentando desaparecer. Para sobreviver, eu tive que me tornar surda, muda, cega, burra e invisível. Mas agora, eu estava fazendo um filme ao lado dos meus amigos e da minha família. Eu estava sendo vista, eu estava sendo ouvida e nós pudermos estar juntos. Para mim, esta foi a experiência mais emocionalmente profunda, pois eu não estava sozinha e nunca mais tive que ficar sozinha novamente.

Rithy, você mencionou que a história se repete. Por que é tão importante contar uma história como essa para o mundo de hoje?

RITHY PANH: Quando você vê o que aconteceu em Charlottesville, você se pergunta, “Nós fizemos tudo o que podíamos? O que é possível hoje?” Como um artista, você também é um cidadão e você tem a obrigação de trabalhar para abrir a mente das pessoas. Você pensa, “Eu não posso lhe dar uma resposta certa, mas talvez eu posso ajudar você a fazer a escolha correta”. Você tem a escolha de viver junto com outras pessoas ou de viver sozinho. O fracasso da democracia pode machucar muito as pessoas ao redor do mundo.

ANGELINA JOLIE: Eu concordo com ele. O fracasso da democracia – ou uma democracia fraca, ou quando uma democracia forte não está liderando ou quando não tem uma voz tão forte – isso enfraquece outras democracias ou democracias potenciais ao redor do mundo. Eu cresci pensando que se nós conhecêssemos a Bósnia teríamos feito alguma coisa. Se nós conhecêssemos Auschwitz, se nós conhecêssemos o Camboja… Nós sabemos de muitas coisas hoje. Nós vimos o que aconteceu, nós vimos os vídeos. Assim como Rithy disse, nós vimos muito ódio e muitas pessoas usando discursos de ódio que constroem esta terrível ideologia que acaba dividindo as pessoas. Nós sabemos onde isso vai dar. Isso é muito sério. Este é o equilibro do nosso mundo – é pelo o que as pessoas vivem, é a natureza humana, é como nós respeitamos os direitos humanos uns dos outros. É por isso que nós encorajamos a democracia e a tolerância, porque esta é a diferença entre as pessoas que estão vivas e morrendo, das pessoas que são assassinadas, das massas que estão sendo apagadas. E nós estamos vendo isso atualmente. Nós vemos isso ao redor do mundo. Nós temos mais pessoas deslocadas do que nunca, nós temos guerras acontecendo, nós temos cada vez mais injustiças. E nós, realmente, temos que nos levantar firmemente e prestar atenção.

Fotos:

01 02 03 04 05



18.nov
Jolie e Ung estampam capa da revista “The Wrap”

A cineasta norte americana Angelina Jolie está ao lado de sua amiga de longa data e escritora, Loung Ung, na edição do dia 17 de Novembro da revista “The Wrap”.

As duas concederam uma entrevista exclusiva à revista e posaram para as lentes do fotógrafo Yu Tsai.

A entrevista estará disponível no site em breve. As scans e as fotos do ensaio fotográfico, no entanto, já podem ser visualizadas em nossa Galeria.

Fotos:

01 02 03 04 05



12.out
Da Namíbia, Angelina Jolie escreve uma carta para você

Conforme a Harper’s Bazaar comemora seu 150º aniversário, Jolie compartilha seus pensamentos sobre os direitos das mulheres e sobre as nossas responsabilidades em relação ao meio ambiente.

A atriz e cineasta Angelina Jolie é conhecida por usar sua voz para defender as causas dos direitos humanos ao redor do mundo. Seu projeto mais recente, “The Breadwinner”, conta a história de uma garota afegã de 11 anos chamada Parvana que passa a se vestir de menino para conseguir sustentar sua família, que é controlada pelo Talibã no Afeganistão, onde as mulheres não podiam trabalhar ou frequentar a escola. Ao celebrar o 150º aniversário da Harper’s Bazaar, Jolie compartilha seus pensamentos sobre os direitos das mulheres e sobre a nossa responsabilidade uns com os outros e com o nosso meio ambiente.

Por Angelina Jolie

Quando fui convidada a escrever para esta edição especial de aniversário da Bazaar, eu imaginei uma leitora da revista, 150 anos atrás, em 1867. Se ela pudesse nos ver hoje – nós, mulheres atuais – o que ela pensaria?

A Bazaar foi primeiramente publicada na América dois anos após o fim da Guerra Civil e a abolição da escravatura. Era um mundo sem carros, sem antibióticos modernos ou energia elétrica. A maioria das pessoas não passavam dos 50 anos e ainda era comum as mulheres falecerem ao darem a luz.

Para uma mulher, muito comumente em países ocidentais no século 19, você não poderia ir para a universidade e ter profissões especializadas como medicina, ciência e direito, já que não eram abertas. Você não podia votar e ainda ficaria sem ganhar esse direito, em muitos países, por quase metade de um século.

Então eu imagino que se uma leitora da Bazaar pudesse nos ver agora, ela ficaria perplexa. E já que ela provavelmente defendeu os direitos das mulheres em toda sua vida, imagino que ela ficaria grata.

Mas também me pergunto o que essa mulher do século 19 pensaria sobre a desigualdade que ainda existe para milhares de mulheres e meninas ao redor do globo – como as que têm que ir trabalhar ao invés de estudar para ajudar suas famílias, como Parvana em “The Breadwinner”. Ou as mulheres que ainda morrem jovens por possuírem tão pouco ou nenhum acesso aos sistemas de saúde. Pensaria ela que fez tudo que pode por elas?

A mulher mais bonita e mais resiliente que eu já conheci foi uma refugiada afegã em um campo abandonado na fronteira com o Paquistão. Ela estava grávida e seu marido havia viajado para procurar um trabalho para ajudá-la. Haviam tratores espalhando lama o redor dela e ela esperava por ele, pois não havia outra maneira de se encontrarem. Ela não tinha nem um teto e não havia nenhum hospital por perto. Ela me convidou para entrar e me ofereceu um chá.

Ela perguntou sobre a minha família e sobre meu país. Quando eu ofereci ajuda, de qualquer forma que fosse, ela disse que não podia pedir por mais do que uma visita e uma conversa. Ela era generosa e digna, com os olhos brilhantes. Às vezes quando eu tenho um dia difícil, eu lembro de seu sorriso e do jeito que ela segurava seu próprio corpo, como se ela fosse dar toda a sua restante força para seu bebê. Duas semanas depois que nós nos conhecemos, aconteceu o 11 de Setembro. Com tudo que aconteceu no Afeganistão, eu não imagino se ela conseguiu sobreviver. Seu marido conseguiu voltar antes que destruíssem seu acampamento? Ela deu o parto lá, ou foi forçada a sair? Estará ela, agora, em uma tenda em alguma fronteira com sua criança, que agora deve ser adolescente?

Eu recentemente li que o Fórum Econômico Mundial previu que levará 83 anos para que as lacunas nos direitos e oportunidades entre homens e mulheres, possam acabar. Isso não se trata de progresso para mulheres à custa dos homens, mas sim de encontrar um equilíbrio igual que beneficie todos. Oitenta e três anos parece mais tempo do que qualquer pessoa, homem ou mulher, esperaria ou imaginaria.

Minha mãe, que era mestiça de índios iroqueses pelo lado de seu pai, me ensinou que os iroqueses diziam que devemos considerar o impacto de nossas decisões para até as sete gerações posteriores. É difícil para nós sermos pensativos assim, com toda a pressão em nossas vidas, mas parece, para mim, ser uma bela aspiração.

Então seja lá quem você for e que estiver lendo isso – uma médica, advogada, cientista, ativista dos direitos humanos, estudante, professora, mãe, esposa, ou um menino ou uma menina folheando a revista da sua mãe – eu espero que você se junte à mim ao dedicarmos um momento, hoje, para pensar em como podemos contribuir para um futuro melhor. Existem muitas coisas que não podemos prever sobre o mundo daqui 150 anos. Mas o que nós sabemos é que nossos bisnetos estarão vivendo com as consequências das decisões que fazemos agora, assim como podemos traçar a origem dos problemas que estamos enfrentando hoje, nas raízes dos séculos anteriores.

Foi no início do século 19, por exemplo, que a onda de marfim e a venda outros produtos feitos de animais selvagens alavancavam em alguns países, juntamente com a destruição do meio ambiente. Onde milhões de elefantes, leões e outras espécies viviam no continente africano, hoje, pequenas e dispersas populações se apegam à caça e à expansão das terras agrícolas, reduzindo seu habitat natural.

As fotos e este artigo foram feitos na reserva natural da Namíbia, no deserto Namib. A reserva é preservada pela Fundação N/a’an ku sê, comandada pelos meus amigos Marlice e Rudie van Vuuren. Nossa filha Shiloh nasceu na Namíbia, e nossa família tem trabalhado ao lado de Rudie e Marlice na área da conservação deste país ao longo da última década. Para mim, a Namíbia representa não apenas laços familiares e de amizade, mas também o esforço de se encontrar um equilíbrio entre os humanos e o meio ambiente, algo que é tão crucial para o nosso futuro.

A fundação N/a’an ku trabalha com a população da Namibia’s San, considerada a cultura mais antiga do mundo. Eles representam centenas de anos da vida humana e selvagem coexistindo em harmonia, mas eles sofreram, assim como outros povos indígenas, ao serem forçados a deixar suas terras em razão do cultivo, do desenvolvimento não controlado e do esgotamento da vida selvagem. A destruição do habitat natural e da vida selvagem deste local deixou o povo de San incapaz de caçar e de sustentar suas famílias.

A mesma coisa está acontecendo ao redor do mundo – na África, na América Latina, Asia e no Pacífico – e as mulheres normalmente são as mais afetadas. As mulheres constituem a maioria dos pobres no mundo. Frequentemente recai a elas a responsabilidade de encontrar comida, água e óleo para cozinhar para suas famílias. Quando o meio ambiente está danificado – por exemplo, quando os estoques de pesca estão destruídos, a vida selvagem é morta por caçadores furtivos ou quando as florestas tropicais são desmatadas – isso agrava ainda mais a situação de pobreza. A educação e a saúde das mulheres são as primeiras coisas atingidas. O ambiente também é um fator crucial na futura estabilidade global. A cada ano, 21.5 milhões de pessoas se deslocam em todo o mundo em virtude das mudanças climáticas, de um total de 65 milhões de pessoas que se encontram atualmente desabrigadas.

A Fundação N/a’an ku trabalha para preservar o habitat natural e para proteger as especies ameaçadas de extinção, como elefantes, rinocerontes e guepardos, como os retratados nas fotos deste artigo. Eu os conheci pela primeira vez em 2015, quando ainda eram pequenos filhotes e que foram “adotados” pela nossa família. Eles ficaram órfãos e quase morreram. Eles foram alimentados e recuperaram a saúde, porém, não podem ser devolvidos à vida selvagem pois perderam o medo de seres humanos e podem ser mortos por eles caso se afastem da reserva. Como só existem em torno de 7.100 guepardos em todo mundo, a missão é salvar todo animal possível.

Esses guepardos não são animais de estimação e nenhum animal selvagem deve ser mantido como um. Eles nos inspiram a querer preservar estas únicas e majestosas criaturas na natureza, como um dos vários passos que devemos dar para preservar o meio ambiente para as futuras gerações.

Cada um de nós tem o poder de fazer um impacto através das nossas escolhas diárias. Por exemplo, podemos nos comprometer em nunca comprar produtos ilegais da vida selvagem, como marfim ou chifres de rinoceronte.

A moda já foi um fator importante na hora de incentivar a compra de roupas, jóias e acessórios feitos com partes de animais selvagens. Mas as revistas, agora, podem enviar uma mensagem diferente: que os animais pertencem à natureza e que o marfim não é algo belo, a não ser que esteja na presa de um animal vivo.

O que fazemos, em nossas pequenas maneiras, é importante. O pensamento esperançoso é este que se encontra em nossas mãos. Ao longo dos próximos 150 anos, a tecnologia nos dará mais e cada vez melhores meios de se comunicar, de combater a pobreza, de defender os direitos humanos e de cuidar do meio ambiente. Mas é aquilo o que escolhemos fazer com a liberdade que possuímos, que faz toda a diferença. Se a minha experiencia de vida me ensinou uma coisa é que, o que você defende e o que você escolhe ir contra, é o que define você. Como as pessoas de San dizem: “Você nunca está perdido se você consegue ver seu caminho para o horizonte”.

DIREITOS DAS MULHERES

O Direito Internacional exige mulheres e meninas sejam iguais aos homens e aos meninos. Isso significa igualdade total em:

• O direito de participar na política internacional, nacional e local e na sociedade.
• O direito à educação, ao trabalho e ao acesso à economia.
• O direito à saúde, incluindo a saúde sexual e reprodutiva.
• O direito à vida e de não ser vítima de violência, especialmente de violência doméstica.
• O direito à igualdade em suas relações familiares, em suas comunidades e religiões

O dever legal de garantir igualdade de gênero é obrigatório para todos os países do mundo.

Fonte: London School Of Economics Center for Women Peace and Security

INFORMAÇÕES SOBRE OS GUEPARDOS

• A população atual de guepardos é inferior a 7.100
• Os guepardos estão desaparecendo das áreas, que diminuiu em 89% nos últimos 100 anos.
• Os guepardos são capturados e vendidos ilegalmente para o comércio de animais de estimação e também são caçados em virtude de suas peles.
• O destino principal dos guepardos vivos, no comércio ilegal de animais selvagens, é o Estado do Golfo.
• Estima-se que dois terços dos filhotes de guepardos traficados morrem em virtude do comércio ilegal.

Fonte: Harper’s Bazaar

Fotos:

01 02 03 04 05



11.out
Angelina Jolie está na capa da revista Harpers Bazaar

Nesta quarta-feira, dia 11 de Outubro, o site oficial da revista norte americana Harper’s Bazaar publicou a capa da edição de aniversário em comemoração aos 150 anos da revista.

Nela, está a cineasta Angelina Jolie em um novo ensaio fotográfico totalmente exclusivo feito no mês de Julho pelo fotógrafo Alexi Lubomirski na Namíbia, África.

“A atriz e cineasta Angelina Jolie é conhecida por usar sua voz para defender as causas dos direitos humanos ao redor do mundo. Seu projeto mais recente, “The Breadwinner”, conta a história de uma garota afegã de 11 anos chamada Parvana que passa a se vestir de menino para conseguir sustentar sua família, que é controlada pelo Talibã no Afeganistão, onde as mulheres não podiam trabalhar ou frequentar a escola. Ao celebrar o 150º aniversário da Harper’s Bazaar, Jolie compartilha seus pensamentos sobre os direitos das mulheres e sobre a nossa responsabilidade uns com os outros e com o nosso meio ambiente.”

A entrevista já está sendo traduzida pelo Angelina Jolie Brasil e estará disponível no site em breve. Por enquanto, deixamos vocês com as fotos do novo photoshoot e com um vídeo do making off compartilhado pela revista! Visite e nossa galeria e veja todas as imagens em alta resolução!

Fotos:

01 02 03 04 05



O Angelina Jolie Brasil é um site feito de fãs para fãs e tem como objetivo principal compartilhar as notícias mais recentes sobre a cineasta norte americana, Angelina Jolie. Nós não temos qualquer contato com a atriz, seus familiares e agentes. Qualquer artigo, vídeo ou imagem postado nesse site possui os direitos autorais dos seus respectivos proprietários originais, assim como todos os nossos conteúdos produzidos, editados, traduzidos e legendados devem ser creditados sempre que reproduzidos em outro site. É proibida a cópia total ou parcial deste site assim como deste layout. Saiba mais sobre a nossa política de privacidade clicando aqui.