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20.nov
The Wrap entrevista Angelina Jolie e Loung Ung

A cineasta Angelina Jolie e sua amiga de longa data, Loung Ung, juntamente com o cineasta cambojano, Rithy Panh, foram entrevistados pela revista norte americana “The Wrap”. A conversa dos três foi recentemente publicada na edição de Novembro da revista, que trouxe ainda um novo ensaio fotográfico (photoshoot) feito pelo fotógrafo Yu Tsai. Confira abaixo a matéria traduzida na íntegra pelo Angelina Jolie Brasil.

Por Steve Pond

Angelina Jolie não é a única diretora, na corrida para ganhar o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, que não nasceu no país que seu filme representa, mas certamente é a mais famosa. Sendo uma norte americana cuja cidadania cambojana foi concedida uma década atrás, por conta do seu trabalho humanitário, Jolie retornou ao país para gravar “First They Killed My Father”, um filme lindo mas brutal que conta a história de Loung Ung, que tinha cinco anos de idade quando sua família foi expulsa da cidade de Phnom Penh em 1975.

Guiada para campos de trabalho forçados no interior do país pelo assassino regime do Khmer Vermelho, comandado por Pol Pot, Ung sobreviveu a um terrível tratamento nos seus quatro anos seguintes, enquanto observava seus pais e amigos se tornarem vítimas de um genocídio ostensivamente destinado a criar uma sociedade sem influência ocidental.

Ung sobreviveu e escreveu suas memórias, que tem como subtítulo “Lembra Uma Filha do Camboja” e que foi lançado no ano 2000. Jolie convidou Ung para co-escrever o roteiro e, então, trouxe Rithy Panh – diretor cambojano do extraordinário filme indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, “A Imagem que Falta” – para produzir o longa.

Gravado no Camboja com atores cambojanos, o filme foi exibido nos Festivais de Cinema de Telluride e Toronto antes de ficar disponível na Netflix. Jolie, Ung e Panh conversaram com a revista “The Wrap” quando se encontravam em Toronto sobre “First They Killed My Father” e sobre sua ressonância no mundo atual.

O que levou você a querer contar essa história?

ANGELINA JOLIE: O Camboja é um país que mudou minha miga quando viajei para lá 16 anos atrás. Na época eu me dei conta do quão pouco sabia sobre o mundo. Isso me deixou mais humilde e mais comprometida. Eu encontrei uma cópia do livro de Loung e eu amei o fato dela escrever suas memórias através dos olhos de uma criança. Esta foi uma forma de se conectar com o público e esta foi a forma que nós fizemos o filme. Agora, eu tenho um filho de 16 anos que é Cambojano e eu quis fazer esse filme ao dele e para ele. Mas, acima de tudo, para o Camboja porque eu acho que esta é realmente a hora de falar sobre isso. Eu queria fazer um filme não apenas sobre um país, mas junto com o país.

Loung, está é, basicamente, sua experiência quando criança e a experiência de sua família. Foi doloroso reviver essas experiências?

LOUNG UNG: Foi doloroso. Entretanto, eu senti que não eram apenas as minhas memórias que eu queria contar, era a história dos meus irmãos, dos meus pais e de muitos outros cambojanos que passaram por experiências similares entre os anos de 1975 e 1979. No período de 4 anos – ou 3 anos, 8 meses e 20 dias – do genocídio khmer, cerca de 2 milhões de cambojanos morreram. Eu queria homenagear suas vidas, espíritos, resiliência e humanidade. E também, eu queria que os descendentes dos meus pais, seus netos e bisnetos, que nunca tiveram a chance de conhecê-los, tivessem a oportunidade de saber que guerreiros, sobreviventes e pais amorosos eles foram. Isso foi importante para mim.

Você algum dia imaginou que isso se tornaria um filme?

LOUNG UNG: Foi um sonho. E eu sempre pensei que se isso acontecesse um dia, tinha que ser com a equipe certa, com as pessoas certas, que tivessem grande integridade, decência e bondade. E este, absolutamente, foi o time dos sonhos. Angie e Rithy e suas famílias, somos muito próximos. Isso está muito além do que eu imaginei. Mas, você sabe, quando você sonha, sonha grande mesmo, às vezes as coisas acontecem.

Rithy, você fez um filme muito pessoal sobre o genocídio cambojano alguns anos atrás, “A Imagem que Falta”. O que fez você acreditar que uma cineasta, que não passou por essas experiências, pudesse realmente fazer justiça?

RITHY PANH: Angelina veio me visitar quando ela foi ao Camboja e eu já a conhecia pelos filmes que tinha feito, sabe? Mas o que é mais importante, é que ela fez este filme junto com a gente. Nós não queremos ser vistos apenas como sobreviventes. Nós precisávamos de um ser humano com imaginação para fazer este filme. Nós precisávamos voltar para nossas imaginações. O genocídio não é apenas uma matança, ele também destrói sua identidade, sua imaginação. E você precisa aprender isso de novo, até que você seja capaz de imaginar, de fazer poesias. Alguém escreveu, um tempo atrás, que depois de Auschwitz, a poesia não era mais possível. Eu acho que depois de Auschwitz, nós precisamos de mais poesia, que nós precisamos de mais cinema, que nós precisamos de mais livros para conseguir explicar às pessoas o que é isso tudo. O que aconteceu conosco pode acontecer com você, já que a história se repete o tempo todo e nós precisamos deste tipo de filme para explicar à próxima geração, qual o valor do ser humano.

Este é um filme lindamente gravado, mas o que acontece nas telas é horrível. Angelina, foi complicado descobrir até que ponto o público iria aguentar e quanto você deveria mostrar?

ANGELINA JOLIE: Sim, mas eu realmente nunca pensei no público. Eu pensei mais em ser fiel à história, ser fiel à experiência. Porque o filme foi gravado a partir do ponto de vista da pequena Loung, portanto, o interessante é que você consegue aguentar o que ela consegue aguentar, quando ela consegue aguentar. Assim, quando ela é mais nova, ela constantemente olha para longe das coisas que ela não consegue lidar. E, de certa forma, a visão dela amadurece e cresce. Eu acho que no final, o público está mais preparado, assim como ela está, para realmente olhar as coisas e enfrentá-las. Portanto, isso foi bastante útil. Eu não gosto de palavrões, violência e sangue. E por não gostar disso, eu apenas mostro quando é realmente necessário. Eu acho que essas coisas podem ser mais eficazes se você as usa com cuidado, se você as usa de uma forma real e apenas quando é necessário. E elas foram certamente necessárias quando eu as usei.

Loung, como foi assistir este filme e ver suas próprias experiências de vida nas telonas?

LOUNG UNG: Foi uma experiência linda. Assim como muitas outras jornadas, existiram solavancos. Para mim, particularmente, existiram momentos tristes, momentos felizes e momentos de redenção e cura. E a coisa mais importante ao assistir este filme, foi ter a sensação de que eu não estou sozinha. Passar pela guerra quando eu era jovem, mesmo quando eu ainda estava ao lado dos meus pais e, posteriormente, quando eles foram levados e quando nós passamos a viver em vilarejos comunais com outras pessoas, você sempre está sozinho. É perigoso ficar junto com outras pessoas. É perigoso se emocionar, se apaixonar, ser um indivíduo, ser visto, ser ouvido. Você se encontra, realmente, se curvando para dentro e tentando desaparecer. Para sobreviver, eu tive que me tornar surda, muda, cega, burra e invisível. Mas agora, eu estava fazendo um filme ao lado dos meus amigos e da minha família. Eu estava sendo vista, eu estava sendo ouvida e nós pudermos estar juntos. Para mim, esta foi a experiência mais emocionalmente profunda, pois eu não estava sozinha e nunca mais tive que ficar sozinha novamente.

Rithy, você mencionou que a história se repete. Por que é tão importante contar uma história como essa para o mundo de hoje?

RITHY PANH: Quando você vê o que aconteceu em Charlottesville, você se pergunta, “Nós fizemos tudo o que podíamos? O que é possível hoje?” Como um artista, você também é um cidadão e você tem a obrigação de trabalhar para abrir a mente das pessoas. Você pensa, “Eu não posso lhe dar uma resposta certa, mas talvez eu posso ajudar você a fazer a escolha correta”. Você tem a escolha de viver junto com outras pessoas ou de viver sozinho. O fracasso da democracia pode machucar muito as pessoas ao redor do mundo.

ANGELINA JOLIE: Eu concordo com ele. O fracasso da democracia – ou uma democracia fraca, ou quando uma democracia forte não está liderando ou quando não tem uma voz tão forte – isso enfraquece outras democracias ou democracias potenciais ao redor do mundo. Eu cresci pensando que se nós conhecêssemos a Bósnia teríamos feito alguma coisa. Se nós conhecêssemos Auschwitz, se nós conhecêssemos o Camboja… Nós sabemos de muitas coisas hoje. Nós vimos o que aconteceu, nós vimos os vídeos. Assim como Rithy disse, nós vimos muito ódio e muitas pessoas usando discursos de ódio que constroem esta terrível ideologia que acaba dividindo as pessoas. Nós sabemos onde isso vai dar. Isso é muito sério. Este é o equilibro do nosso mundo – é pelo o que as pessoas vivem, é a natureza humana, é como nós respeitamos os direitos humanos uns dos outros. É por isso que nós encorajamos a democracia e a tolerância, porque esta é a diferença entre as pessoas que estão vivas e morrendo, das pessoas que são assassinadas, das massas que estão sendo apagadas. E nós estamos vendo isso atualmente. Nós vemos isso ao redor do mundo. Nós temos mais pessoas deslocadas do que nunca, nós temos guerras acontecendo, nós temos cada vez mais injustiças. E nós, realmente, temos que nos levantar firmemente e prestar atenção.

Fotos:

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17.nov
LA Times entrevista Angelina Jolie e Loung Ung

Angelina Jolie e Loung Ung estão sentadas em uma sala de conferências nos confins dos novos e brilhantes escritórios da Netflix em Hollywood. Parece como qualquer outro dia e, de vários modos, para essas duas amigas de longa data, essa entrevista é exatamente isso, mais uma oportunidade de garantir que o mundo não se esqueça dos horrores que aconteceram no Camboja durante o regime do Khmer Vermelho. Esta é uma missão que não terminará para nenhuma das duas tão cedo.

Essas duas mulheres não apenas se conhecem há mais de uma década, mas as duas estão unidas por esta colaboração, este épico filme chamado “First They Killed My Father”. O longa, lançado pela Netflix em Setembro deste ano, foi adaptado do livro escrito por Ung , lançado no ano 2000, que conta as experiências de sua família. O célebre trabalho narra a infância de Ung sob o regime do Khmer Vermelho durante a década de 70. Jolie dirigiu o projeto, que foi enviado oficialmente pelo Camboja para concorrer ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeria, e co-escreveu o roteiro ao lado de Ung.


Angelina Jolie e a pequena atriz cambojana Sareum Srey Moch.

Até dirigir o filme dramático que se passa durante a Guerra da Bósnia lançado em 2011, “Na Terra de Amor e Ódio”, Jolie admite sem rodeios que nunca se viu como uma diretora. Depois deste filme, entretanto, ela começou a se perguntar que tipo de histórias deveria contar em seguida. Foi quando ela se lembrou da história de sua amiga Ung e percebeu que esta era uma história que seu filho Maddox, adotado por ela no Camboja, precisava vivenciar.

“Não pensei algo como ‘será que seria um filme legal?’. Foi mais para ‘no eu deveria passar anos da minha vida fazendo? O que importa? O que conseguiu me afetar?’ E então, ficou muito claro para mim que tinha sido esse livro,” disse Jolie. “E enquanto Maddox crescia, eu realmente precisava que ele compreendesse o que tinha acontecido e eu sentia que o país nunca tinha realmente lidado com isso. Este não era um tema aberto e discutido como deveria ser”.

Quando mais Jolie e Ung conversam, mais fácil fica de entender a amizade entre as duas. O par primeiramente se conheceu quando Jolie se encontrava em uma missão humanitária na região rural do Camboja. Anos depois, Jolie pergundou a Ung se ela tinha interesse em fazer uma versão cinematográfica de seu livro e se ela queria escrever o roteiro ao seu lado. De acordo com Ung, o roteiro foi escrito em um período de três dias na casa de Jolie.

Um momento do livro que Jolie se lembra e que insistiu incluir no filme foi a cena em que a mãe de Ung esconde uma camisa azul, para que seus filhos nunca se esquecessem dela ou da vida que família tinha antes que o Khmer Vermelho comandasse o país. E, de fato, esta camisa ainda existe até os dias de hoje em um cofre à prova de fogo que se encontra na casa do irmão de Ung em Vermont.


Uma cena do filme “First They Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers”.

“As crianças ouviram essa história e um dia a surpreenderam dando a ela, como presente, uma camisa de seda azul”, lembra de Jolie enquanto fala sobre seus próprios filhos. “Eles dão presentes de aniversário aleatórios para ela, porque ela não sabe a data do seu aniversário”.

Ung explicou aos filhos de Jolie que ela não sabe a data de seu nascimento porque os registros foram destruídos, mas que seu irmão registrou como dia 17 de Abril.

“Neste dia, o Khmer Vermelho tomou o poder no país,” esclarece Ung. “Eu nunca achei que estava correto. Quando você tem 16 anos, você quer fazer uma festa de aniversário para comemorar, mas você sabe que neste mesmo dia, pessoas ao redor do mundo estão ascendendo velas para lembrar de 2 milhões de vidas perdidas. Como eu, realmente, poderia querer um bolo de aniversário nesta data?”

Jolie acrescenta, “Todo ano, nós criamos datas de aniversário diferentes para ela. Nós estavámos falando sobre isso ontem, tentando decidir quando seria sue próximo aniversário”.

Um dos aspectos mais marcantes do roteiro escrito por Jolie e Ung é sobre a pouca exposição que existe nele. Quase toda a história é mostrada através dos olhos da pequena Loung, interpretada pela pequena atriz Sareum Srey Moch.

“A coisa mais complicada a respeito disso é que você não pode saber muito mais do que ela sabe, já que ela é uma criança,” diz Jolie. “Você apenas pode saber a respeito dos seus pensamentos internos. O livro possibilita que as coisas sejam explicadas, já que nele você pode escrever o que estava acontecendo ou quais eram os pensamentos naquele momento. Mas no filme, não podíamos mostrar isso. Nós decidimos não colocarmos vozes para explicar os pensamentos dela. No filme, temos apenas que nos identificar com ela, mesmo que exista uma cena inteira em que ela não entende o que está acontecendo, a audiência acaba ficando confusa, assim como ela está”.

A jornada encontra a representação no filme de Loung atravessando florestas e plantações de arroz onde milhões de cambojanos urbanos foram enviados para trabalhar, enquanto o regime autoritário tentava voltar no tempo e remover toda a influência ocidental da nação.

“Em outras guerras, existiram campos de prisioneiros e muros. No Camboja, o país todo se transformou em uma prisão”, disse Jolie. “Não existiam muros. Não havia nenhum lugar para ir e se sentir seguro. O país todo se tornou prisioneiro”.

O sofrimento causado durante a era do Khmer Vermelho ainda traz lembranças dolorosas para muitas pessoas, mas quando Jolie teve que filmar as cenas em que as famílias foram ordenadas a deixar a capital Phnom Penh, ela ficou surpresa com o que os sobreviventes queriam ensinar aos filhos.

“Mesmo com as cenas do êxodo, os figurantes, que levaram suas famílias tambem, levaram seus próprios filhos. Eu conversei com alguns figurantes que lembravam da primeira vez que deixaram a cidade. Agora, eles estavam trazendo os filhos e os netos para mostrar a eles como tinha sido. Foi uma coisa realmente emocionante”.


Sareum Srey Moch durante uma cena do filme “”First They Killed My Father”.

Fonte: Los Angeles Times

Na Galeria de fotos, adicionamos 15 imagens feitas e compartilhadas pelo renomado fotógrafo, Roland Neveu, durante as gravações do filme no Camboja em 2015.

Fotos:

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14.nov
Jolie exibe “First They Killed My Father” no AFI Fest

Na noite desta segunda-feira, dia 13 de Novembro de 2017, a cineasta norte americana Angelina Jolie esteve presente em mais uma Exibição Especial (Screening) do filme “First They Killed My Father”.

O evento aconteceu durante o AFI Fest no Egyptian Theatre, localizado na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos.

Depois da exibição do filme, Jolie, ao lado da amiga e escritora Loung Ung, respondeu algumas questões a respeito do longa que foi dirigido, co-produzido e co-escrito por ela.

Antes de ingressar no evento, Jolie ainda distribuiu autógrafos e selfies com os fãs que se encontravam aglomerados ao lado de fora do local.

Vídeo:

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05.nov
The Contenders: Jolie e Ung honram história cambojana

Na noite deste sábado, dia 04 de Novembro de 2017, Angelina Jolie e Loung Ung participaram de um evento chamado “The Contenders”, que foi organizado pelo famoso site de entretenimento “Deadline Hollywood”. Abaixo, confira o artigo publicado pelo próprio site descrevendo a presença da cineasta durante o evento.

Por Dino-Ray Ramos

O filme “First They Killed My Father”, dirigido por Angelina, é um longa que está se destacando. O catalisador do filme pode ser rastreado para quando Jolie se encontrava no Camboja, em seus 20 anos. Ela comprou o livro de Loung Ung em uma loja de esquina e ele acabou se tornando uma experiência de aprendizagem de humildade para a atriz vencedora do Oscar.

“Eu não tinha noção do tanto que faltava na minha educação e de quanto eu precisava aprender. Este livro foi uma educação para mim – sobre os refugiados e sobre o que as crianças enfrentam nas guerras. Eu quis conhecer Loung”, disse Jolie.

O filme, lançado pela Netflix, mostra a história de vida da escritora e ativista cambojana, Loung Ung, sob o governo mortal do regime do Khmer Vermelho, nome dado pelos seguidores do partido comunista de Kampuchea, no Camboja. O filme é uma adaptação das lembranças de Ung a respeito de sua sobrevivência durante os anos de 1975 a 1978. A história é contada através dos olhos dela, quando se encontrava com apenas 5 anos de idade, até quando o Khmer Vermelho tomou o poder, quando já se encontrava com 9.

Ung foi questionada pelo apresentador, Pete Hammond, sobre como ela se sentiu quando Jolie entrou em contato com ela pela primeira vez. Ela respondeu rindo: “descrédita”.

“Nós ficamos amigas imediatamente – ela é realmente, realmente, muito autêntica. Ela realmente odeia quando eu a elogio em público, mas ela é uma pessoa muito legal!” contou Ung. Desde então, as duas desenvolveram uma amizade que dura mais de 16 anos. Como resultado, Jolie levou a história de Ung para as telonas – e ela quis transformá-la na forma mais autêntica possível.

“Nós estávamos determinadas a filmar no Camboja e queríamos que o filme fosse em Khmer e não em inglês. Nós queríamos fazer do jeito certo”, disse Jolie.

Jolie ficou animada por terem escolhido a pequena atriz Sareum Srey Moch para interpretar a versão jovem de Ung, no sentido de aproveitar o talento artístico nunca antes visto e esquecido do Camboja.

“Durante a guerra, os artistas foram mortos por conta de suas influências. Fazer com que os artistas voltassem para os sets e atuassem nas cenas foi algo muito inspirador. Você não fica triste com a história, mas sim orgulhoso pelas coisas que este país pode fazer de forma tão criativa”.

Escrito por Jolie e Ung, “First They Killed My Father” foi o filme oficialmente escolhido pelo Camboja para concorrer ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira deste ano. Jolie, que tem cidadania americana e cambojana, foi escolhida pelo governo para representar o país do sudeste asiático – algo que é realmente notável, considerando o fato de que ela é uma mulher ocidental.

Jolie ainda contou que decidiu levar está história para as telonas por muitas razões, mas também porque queria que seu filho, que é cambojano, pudesse entender o que seus pais biológicos passaram. Para um país que não fala sobre sua história, Jolie disse que “queria que o país tivesse uma espécie de fechamento no sentido de poder dizer ‘foi assim que aconteceu’. Foi incrível eles terem me deixado participar, mas o mais incrível foi eles permitirem que a história fosse recriada nas ruas. Todas as pessoas cambojanas que participaram deste filme conheciam alguém que foi afetado pela guerra, e eles decidiram fazer o filme por aqueles que amam”.

Ung insinuou: “Se me permitem, nós cambojanos não vemos a Angie como uma mulher ocidental. Ela é nossa, e ela é cidadã do Camboja desde 2005 – e antes disso, ela já era cambojana em seu espírito”.

Jolie produziu “First They Killed My Father” ao lado do diretor e produtor cambojano, Rithy Panh, diretor do filme “A Imagem que Falta”, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Fonte: Deadline



04.nov
Angelina e Loung participam do The Contenders

Na tarde deste sábado, dia 04 de Novembro, a cineasta participou de mais uma Exibição Especial (Screening) do filme “First They Killed My Father”. O evento, que recebeu o nome de “The Contenders” é organizado pelo famoso site de entretenimento, Deadline, e aconteceu no DGA Theater, em Hollywood, na cidade de Los Angeles.

Jolie, ao lado da amiga e escritora Loung Ung, responderam algumas perguntas a respeito do filme. As sessões organizadas pelo evento foram apresentadas por Mike Fleming Jr, Joe Utichi, Anthony D’Alessandro e Dominic Patten.

“First They Killed My Father”, escrito e dirigido por Jolie, foi lançado no dia 15 de Setembro pela Netflix e é baseado no livro de mesmo nome escrito por Loung Ung, que narra sua história de sobrevivência durante o genocídio no Camboja.

Em 1975, Loung tinha 5 anos de idade quando o Khmer Vermelho assumiu o poder e deu início a 4 anos de terror e genocídio que sacrificaram a vida de dois milhões de cambojanos. Retirada da casa de sua família em Phnom Penh, ela foi treinada como soldado mirim em um campo para órfãos, enquanto seus irmãos foram enviados a campos de trabalhos forçados.

Além disso, o longa foi foi escolhido pelo Camboja para representar o país na disputa de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar.

Apenas seis filmes cambojanos no total foram submetidos à Academia, o primeiro em 1994. O único que figurou entre os finalistas foi “A Imagem que Falta”, de Rithy Panh (produtor executivo do longa de Jolie), que perdeu para o austríaco Amor em 2013.

Angelina e Loung também posaram para as lentes do fotógrafo Michael Buckner saindo em retratos oficiais do evento. Posteriormente, Angelina ainda distribuiu autógrafos para os fãs que se encontravam localizados do lado de fora do DGA Theater.

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