08.fev.2018
Angelina Jolie estampa a capa da revista Elle

Angelina Jolie não tem um projeto para divulgar. Ela também não está estrelando ou dirigindo um filme que será lançado em Março. No entanto, contrariando os principais motivos de se estar na imprensa a ganhadora do Oscar é capa da revista Elle com a finalidade de chamar atenção para uma ocasião que não acontece nos tapetes vermelhos: o Dia Internacional da Mulher (8 de Março).

Durante a maior parte da última década, a cineasta de 42 anos de idade dedicou-se para lançar uma luz nos direitos das mulheres, ou destacar a ausência destes, ao redor do mundo. Servindo como Embaixadora da Boa Vontade e Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, ela completa quase 60 missões de campo, incluindo visitas ao Líbano, Jordânia e Iraque. Como co-fundadora da Iniciativa de Prevenção a Violência Sexual, ela se encontrou com sobreviventes de estupro em Ruanda e na Bósnia Herzegovina. Alguns dias antes de participar do ensaio fotográfico para a ELLE, o jornal “Guardian” publicou um pedido de Jolie por uma atitude contra a violência de gênero ao lado do Secretário Geral da OTAN, Jens Stoltenberg. Apesar de todo o seu trabalho, Jolie confessa que sempre foi reticente quando se trata de política. Ainda assim, ela reconhece que a ação política, às vezes, pode oferecer uma rota mais direta para conseguir mudar as coisas para melhor.

Para esta finalidade, a entrevista a seguir é uma conversa pensativa estabelecida entre Jolie e o político de longa data, John Kerry. Ela conheceu o estadista de 74 anos – veterano da Guerra do Vietnã, candidato presidencial e, mais recentemente, secretário de Estado dos Estados Unidos – há cinco anos durante a Cúpula do G8 em Londres. É uma manhã frígida de Dezembro e os dois se reencontraram no Hotel Ritz-Carlton em Nova York. Kerry, que inesperadamente, encontrou sua filha Vanessa na rua, trouxe-a para um breve olá. Os quatro filhos mais novos de Jolie devem chegar em breve. Jolie está na cidade para receber o prêmio de Cidadã do Mundo, entregue pela Associação de Correspondentes das Nações Unidas, e para fazer compras de Natal. Ambos estão ansiosos para 2018, ano em que Jolie deve conversar com estudantes do Instituto Jackson da Yale sobre assuntos globais, onde secretário também supervisiona a Iniciativa Kerry. Ele, por sua vez, concordou em falar na London School of Economics, na qual Jolie é professora visitante. A entrevista aborda uma pequena porção dos grandes problemas que ambos estão trabalhando incansavelmente para remediar.

Angelina Jolie: Obrigada por conversar comigo em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

John Kerry: O prazer é meu. Como está sua família?

AJ: Tudo bem. As crianças estarão aqui em breve. Você já possui netos?

JK: Eu estou passando pela melhor fase da minha vida como avô. Elas são muito espertos, é assustador.

AJ: Elas realmente são, só pela clareza que possuem…

JK: Eu acabei de voltar da Cúpula Climática em Paris. Eu sei que isso é algo pelo qual você se importa, já que nós temos que estar envolvidos globalmente.

AJ: Essa seria uma das coisas que eu adoraria conversar com você. Existe esta questão de, você pode ser um Cidadão do Mundo e ainda ser patriota? Essa nem deveria ser uma questão.

JK: É algo que nós precisamos falar mais. O que significa ser americano. Nós precisamos fazer um trabalho melhor ao explicar porque os americanos devem se sentir orgulhosos das coisas que fizemos nos países ao redor do mundo.

AJ: Eu sou muito patriota, assim como eu sei que você também é. Para mim, isso vai de mão dadas com o fato de ser orgulhoso por aquilo que a América representa. Por exemplo, eu sou a única pessoa na minha casa que nasceu nos Estados Unidos.

JK: Eu não estava ciente disso.

AJ: É só pelo motivo de que nós somos um país formado por pessoas de diferentes origens e crenças, que eu posso ter essa família. Minhas filhas tem as liberdades que tem por serem americanas. E nós estamos fazendo o nosso melhor quando estamos lutando para que as outras pessoas tenham os mesmos direitos. Particularmente, outras mulheres.

JK: O desafio é descrever como um conflito no norte da África, ou em qualquer outro lugar, está relacionado com todos nós. Como isso afeta a imigração, o terrorismo e a economia.

AJ: A forma que eu vejo é que, mesmo que você seja uma pessoa que não quer se preocupar com questões internacionais, você ainda será afetado. Não tomar uma posição é perigoso.

JK: No ano passado, nós tivemos uma discussão no Instituto Jackson, em Yale, sobre a mudança climática. Quando você diz “Salve o planeta” a maioria das pessoas revira os olhos. Mas, novamente, trata-se de como isso afeta todos nós, principalmente, os trabalhos. E se você é um agricultor e as coisas não crescem em alguns lugares? O que significa termos tempestades mais frequentes e super destrutivas?

AJ: Deve ser um momento frustrante, com a América se retirando do acordo climático.

JK: A verdade é que, mais de 90 cidades, incluindo Nova York, Miami e Los Angeles, estão 100% comprometidas em assinar o acordo de Paris. O povo norte americano não se retirou. As mudanças climáticas afetam negativamente todas as questões que você está trabalho: violência contra as mulheres, refugiados.

AJ: Já existem mais pessoas deslocadas pelas mudanças climáticas do que pelas guerras. O meio ambiente foi o que levou você para a política?

JK: Quando eu voltei do Vietnã, eu não protestei imediatamente. Eu ainda estava processando. Mas eu fiz parte do primeiro “Dia da Terra” em 1970. Recebemos mais de 20 milhões de pessoas e daí surgiram o “Clean Air Act”, o “Federal Water Pollution Control Act” e o “United States Environmental Protection Agency”. Advinhe quem assinou para a United States Environmental Protection Agency? Richard Nixon. Por que? Porque foi uma votação. Então, na eleição de 1974, nós apontamos 12 membro do Congresso, rotulando-os como a “dúzia suja”. Sete deles perderam seus assentos. Foi um estrondo. Todo mundo ficou chocado”.

AJ: Eu era bastante “anti-política” quando era jovem. Eu comecei a trabalhar com os direitos humanos e me encontrar com refugiados e sobreviventes principalmente porque queria aprender. Eu também tinha esta romântica ideia de que eu iria colocar um par de botas e me tornaria humanitária. Mas, em certo ponto, você percebe que não é o bastante. Você tem que encontrar a raiz do problema. E isso, muitas vezes, leva você de volta para a lei e para a política. Por exemplo, eu continuava me encontrando com refugiados que eram sobreviventes de estupros utilizados como armas de guerra. No entanto, não existiam condenações. Isso fez com que eu começasse a trabalhar com os governos e legisladores. Quando se trata do assunto, ainda vemos a violência contra as mulheres como um crime menor.

JK: É vergonhoso.

AJ: Você precisa identificar o que irá gerar mudança. Encontrar as pessoas na política com quem você pode trabalhar e que mantenham suas promessas.

JK: Isso é democracia: trata-se de responsabilidade. Você tem que batalhar e continuar cobrando. Você sente que está sendo bem sucedida?

AJ: Em alguns países a violência sexual é menos que uma discussão sobre tabu. É uma coisa que as pessoas mais esperam que seus líderes atuem. Mais de 150 países assinaram o compromisso de acabar com a impunidade do estupro em uma zona de guerra. Existem novas equipes para reunir provas e ajudar nos processos. Eu estava no Quênia em Julho passado, pois as tropas de manutenção da paz da ONU estavam recebendo um novo treinamento, já que as forças da paz fizeram parte do problema. Estamos trabalhando com a OTAN para o treinamento, proteção e obtenção de mais mulheres nas forças armadas. Mas ainda existe muito a se fazer.

JK: Quando eu era um jovem promotor, muitas das pessoas não acreditavam que a violência contra as mulheres fosse crime. Nós tentamos superar esse velho pensamento expandindo os programas de aconselhamento para vítimas de estupro, contratando e promovendo mais mulheres promotoras.

AJ: É exatamente isso: mudar o pensamento assim como as leis. Eu penso em quão difícil foi para as mulheres que lutaram para chegarmos onde estamos hoje. Tudo conta, da maneira que você se mantém em seu cotidiano, de como você se educa sobre seus próprios direitos, para se solidarizar com outras mulheres ao redor do mundo.

JK: Eu espero que os leitores entendam como suas vozes são importantes.

AJ: E que eles sintam que suas vozes estão sendo ouvidas. Eu falo para as minhas filhas, “O que te faz diferente é o que você está disposto a fazer pelos outros. Qualquer pessoa pode colocar um vestido e se maquiar. No entanto, é sua mente que define quem você é. Saiba quem você é, o que você pensa e o que você representa. E lute para que as outras pessoas possam ter essas mesmas liberdades. Uma vida de serviço vale a pena ser vivida”.

Fonte: Elle

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